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Simbolismo das cores, números, sinais e linguagem

✍️ Desconhecido 📅 07/02/2024 👁️ 7 Leituras

cores

Na opulência da simbologia maçónica encontramos outros veios magníficos a explorar. Tomemos, para começar, as cores utilizadas pela Maçonaria. A cor que predomina entre nós é o azul. É a cor do simbolismo, em contraposição ao vermelho, que é a cor do filosofismo. Daí assinalarmos o engano que se verifica no Brasil em se classificar as lojas do rito escocês antigo e aceito, de lojas “vermelhas”. Vermelhos são os Capítulos, nunca as lojas. Qualquer que seja o rito, as lojas que trabalham nos três graus básicos são “azuis”. Portanto, ainda é tempo de se começar as rectificações necessárias, pintando-se novamente de azul todas as paredes internas dos nossos templos.

O azul é a cor magnética por excelência. Cor do planeta Júpiter, que rege o pensamento moral, a ideia filosófica. Segundo DARIO VELOSO, “o azul repousa o corpo e fortalece o espírito, convida à meditação, ao embevecimento, derramando na alma silenciosa, eflúvios de bondade”. Por isso a safira é a pedra dos sábios, dos filósofos, dos teurgos. É a cor do céu.

O branco, cor dos aventais, é a paz, a virgindade de Isis. Branco era o avental do profeta Elias e branco também o avental que cingia João Batista, como também eram brancos os “efods” dos israelitas que serviam no Santo dos Santos. Nos mistérios pérsicos de Mitra, os iniciados surgiam revestidos de um avental branco, e de modo igual eram paramentados os iniciados nos mistérios de Elêusis, pois segundo CICERO, “o branco é a cor preferida dos deuses”. De tal forma o branco se associou à ideia de pureza, de virgindade, que os Essénios cobriam os seus postulantes com uma veste alva, com as extremidades azuis.

Já o vermelho é a luta, o combate, é o planeta Marte. Indica o sacrifício, o sangue. No rubi é o Direito, é o litígio entre a razão e o erro. Na púrpura é a cor preferida pelos magos. O preto é a dor, a desesperança, a morte. Saturno é negro como o ónix. A cor negra é usada em certas câmaras maçónicas e em determinadas cerimónias.

A numerologia, essencialmente simbólica, ocupa lugar relevante na Maçonaria. Nem poderia suceder de modo diferente numa Instituição cuja base é fundamentalmente esotérica.

O número um é a unidade, o princípio, o grande mistério, o átomo, a causa sem causa. O número dois é a mulher, a dualidade do ser, o antagonismo. O número três, clássico por excelência no simbolismo, é a ideia da trindade, do principio trino, da perfeição. Nele se baseia o triângulo. O número quatro é a forma, a adaptação. Número da família, é o símbolo da Terra. O número cinco é o pentagrama, o número do GADU, número predilecto dos pitagóricos . O número seis é o equilíbrio das ideias, número preferido pelos martinistas. Encerra a ideia do bem e do mal. Dele se formam os números apocalípticos. O número sete é a realização, a aliança da ideia e da forma, número da sabedoria, reunião do ternário e do quaternário. A tradição bíblica é riquíssima no número sete. “Lava-te sete vezes nas águas do Jordão”, foi dito a Naaman. “O justo tombará sete vezes”. “Não digo sete vezes mas setenta vezes sete”. Número pleno e perfeito, o sete impera na liturgia da igreja romana. Na sua “De divinis officiis”, RUPERT DE TUYS diz que o “ofício santo, com as suas sete horas, é um fulcro divino de luz e de fervor que pode ser comparado ao sol cujos sete raios iluminam, aquecem e vivificam todos os dias, a natureza inteira”.

Uma loja maçónica só é perfeita quando tem sete maçons, colados no grau de mestre. Sete ou mais.

Entre os símbolos maçónicos cujo significado é bastante oculto, situam-se os sinais. Por eles os maçons se reconhecem e constituem um segredo que não pode ser revelado, sob pena de perjúrio ao juramento prestado. Devem ser feitos com muita discrição e atenção. Digamos até: com unção. Os sinais mal feitos, além de denotar negligência são uma demonstração de ignorância maçónica. Evidentemente quem os faz de modo pouco cuidadoso ou sem o devido respeito, ignora o seu verdadeiro significado.

O gesto é a palavra muda. Quando o Maçom faz sinais, está transmitindo uma mensagem, está realizando uma cerimónia, que pelo seu segredo, escapa ao entendimento dos profanos.

Os sinais maçónicos merecem um estudo a parte, tal a sua complexidade. O Irmão WARD, já citado, dedicou um belíssimo livro ao estudo dos sinais maçónicos, a cujas origens remonta. Faz mesmo uma interpretação profunda, à luz de elementos colhidos nas fontes mais insuspeitas da antiguidade, através de obras de arte recolhidas aos museus da Europa e da Ásia. E aponta-nos a existência dos sinais tão nossos conhecidos, em pinturas, esculturas e descrições antigas, onde têm o mesmo significado compreendido pelos maçons.

Os sinais são classificados em “guturais”, aqueles que se relacionam com a garganta, “cordiais”, com o coração, “capitais”, com a cabeça, “manuais”, com as mãos, “umbrais”, com os ombros, e o sinal do “plexo solar”, e exprimem a desgraça e o desespero, a exaltação, a reverência, o horror, a resignação, o pesar, a adoração, o sacrifício, a simpatia, a fidelidade, a obrigação, a destruição, o céu e a terra, o fim, a prece, o socorro. Inúmeras são as estátuas clássicas e os quadros antigos que ele nos apresenta, em que constatamos a execução desses sinais, em condições que não significam e nem podem significar somente uma coincidência.

O sinal de preservação, por exemplo, que se pratica no segundo grau, é encontrado em objectos contemporâneos às civilizações egípcia e maia, e também nas pinturas sacras, principalmente nos quadros representando o juízo final, em que alguns espíritos imploram ao GADU que os preservem, enquanto que outros, condenados às chamas eternas (notemos que a pintura é sacra e se encontra em igrejas da idade-média), fazem o sinal de desespero, ou o sinal de horror, pertinente ao terceiro grau.

A linguagem dos sinais só é inteligível aos iniciados, dado o seu significado recôndito. Os maçons, porém, possuem uma linguagem falada, igualmente desconhecida dos profanos. Com ligeiras variações, é a mesma na Inglaterra, na França, na Alemanha, nos países de fala espanhola e portuguesa. Os seus termos são geralmente tirados da arte do pedreiro ou da construção. Assim, escrever é “traçar”, carta é “prancha” e a acta é “balaústre”, discurso é “traçado geométrico”, examinar alguém para verificar se é Maçom é “trolhar”, cruzar as espadas sobre a cabeça de visitantes ilustres é formar “abóbodas de aço”. A presença de profanos entre maçons é assinalada pela palavra “goteira” intercalada numa frase.

Os filhos de maçons são “lowtons” isto é, cordeirinhos, e os maçons na linguagem comum se chamam de “filhos da viúva”, pois são irmãos de Hiram, filho de uma viúva de Neftali.

João Nery Guimarães

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