Freemason

Segredo

✍️ Desconhecido 📅 17/06/2024 👁️ 11 Leituras

segredo

Um velho filósofo grego, quando lhe perguntaram qual era a qualidade mais valiosa a conquistar e a mais difícil de manter, respondeu: “Ser secreto e silencioso”. Se o segredo era difícil nos tempos antigos, é duplamente difícil hoje, no mundo barulhento e ruidoso em que vivemos, onde a privacidade é quase desconhecida.

O segredo é, de facto, uma virtude inestimável mas rara, pelo que não se faz muito esforço para o ensinar e praticar. O mundo de hoje é uma galeria de sussurros onde tudo se ouve, uma sala de espelhos onde nada se esconde. Se os antigos adoravam um Deus do silêncio, parece que estamos prestes a erguer um altar ao Deus da coscuvilhice.

Alguém disse que se a Maçonaria não fizesse mais do que treinar os seus homens para preservar sagradamente os segredos dos outros que lhes são confiados como tal – excepto quando um dever mais elevado exige a revelação – estaria a fazer um grande trabalho, que não só justifica a sua existência, como lhe daria direito ao respeito da humanidade.

De qualquer modo, nenhum Maçom precisa de ser informado sobre o valor do segredo. Sem ele, a Maçonaria deixaria de existir, ou tornar-se-ia algo tão diferente do que é que seria irreconhecível. Por essa razão, se não por outra, a primeira lição ensinada a um candidato, e impressa nele a cada passo de forma inesquecível, é o dever do segredo.

No entanto, em rigor, a Maçonaria não é uma sociedade secreta, se com isso quisermos dizer uma sociedade cuja própria existência é escondida. Todos sabem que a Fraternidade Maçónica existe, e nenhum esforço é feito para esconder esse facto. A sua organização é conhecida; os seus Templos encontram-se nas nossas cidades; os seus membros orgulham-se de serem conhecidos como Maçons. Qualquer pessoa pode obter dos registos de uma Grande Loja, se não dos relatórios impressos das Lojas, os nomes dos membros da Ordem.

Também não se pode dizer que a Maçonaria tenha alguma verdade secreta para ensinar, desconhecida da melhor sabedoria da raça. A maior parte da conversa sobre a Maçonaria esotérica falha o alvo. Quando a história é contada, o único segredo acaba por ser uma teoria estranha, uma filosofia fantasiosa, sem qualquer importância real. A sabedoria da Maçonaria está escondida, não porque seja subtil, mas porque é simples. O seu segredo é profundo, não obscuro.

Tal como na matemática existem figuras primárias, e na música notas fundamentais, sobre as quais tudo assenta, assim também a Maçonaria é construída sobre as verdades amplas, profundas e elevadas sobre as quais a própria vida se apoia. Ela vive, move-se e tem o seu ser nessas verdades. São mistérios, de facto, como a vida, o dever e a morte são mistérios; conhecê-los é ser verdadeiramente sábio; e ensiná-los em toda a sua importância é o ideal que a Maçonaria visa.

A Maçonaria, portanto, não é uma sociedade secreta; é uma ordem privada. Na quietude da loja em trabalho, afastada do barulho e do ruído do mundo, num ar de reverência e amizade, ensina-nos as verdades que nos tornam homens, sobre as quais a fé e o carácter devem assentar se quiserem suportar o vento e as intempéries da vida. A sua simplicidade é tão rara que, para muitos, é tão secreta como se estivesse escondida por detrás de sete véus, ou enterrada nas profundezas da terra.

Qual é o segredo da Maçonaria? O “Método” do seu ensino, a atmosfera que cria, o espírito que insufla nos nossos corações e o laço que tece entre os homens; por outras palavras, a Loja e as suas cerimónias e obrigações, os seus sinais, símbolos e palavras – o seu poder de evocar o que há de mais secreto e oculto no coração dos homens. Ninguém pode explicar como isto é feito. Apenas sabemos que é feito, e guardamos como um tesouro inestimável o método pelo qual é realizado. É moda de alguns dizer que as nossas cerimónias, sinais e símbolos são de pouco valor; mas não é verdade. Eles são de profunda importância, e nunca é demais protegê-los da profanação e do abuso. O famoso elogio dos sinais e símbolos da Maçonaria feito por Benjamin Franklin não foi uma eloquência ociosa. É justificado pelos factos, e deve ser conhecido e recordado:

“Estes sinais e símbolos são de grande valor; eles falam uma linguagem universal e actuam como uma senha para a atenção e apoio dos iniciados em todas as partes do mundo. Eles não podem ser perdidos enquanto a memória mantiver o seu poder. Que o seu possuidor seja expatriado, naufragado ou aprisionado; que seja despojado de tudo o que tem no mundo; ainda assim estas credenciais permanecem e estão disponíveis para serem usadas conforme as circunstâncias o exigirem.
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“Os grandes efeitos que produziram são estabelecidos pelos factos mais incontestáveis da história. Eles detiveram a mão erguida do Destruidor; suavizaram as aspirações do tirano; mitigaram os horrores do cativeiro; subjugaram o rancor da malevolência; e derrubaram as barreiras da animosidade política e da alienação sectária.
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“No campo de batalha, na solidão das florestas incultas, ou nos lugares movimentados da cidade apinhada, eles fizeram com que homens dos sentimentos mais hostis, das religiões mais distantes e das condições mais diversificadas, corressem em auxílio uns dos outros, e sentissem uma alegria e satisfação social por terem sido capazes de proporcionar alívio a um irmão Maçom.”

O que é igualmente verdade, e não menos valioso, é que nos caminhos comuns da vida quotidiana eles unem os homens e mantêm-nos unidos de uma forma única e santa. Abrem uma porta para sair da solidão em que cada homem vive. Formam um laço que nos une para nos ajudarmos uns aos outros, e aos outros, de formas demasiado numerosas para serem nomeadas ou contadas. Formam uma rede de companheirismo, amizade e fraternidade em todo o mundo. Acrescentam algo de belo e de bom à vida de cada um de nós, sem o que seríamos de facto mais pobres.

No entanto, nunca esqueçamos que é o espírito que dá vida; só a letra é vazia. Uma casa antiga significa mil coisas belas para aqueles que nela foram criados. A sua própria paisagem e cenário são sagrados. O terreno em que se encontra é sagrado. Mas se um estranho a compra, essas coisas sagradas não significam nada para ele. O espírito foi-se, a glória desvaneceu-se. O mesmo acontece com a Loja. Se fosse aberta aos olhares curiosos do mundo, a sua beleza seria arruinada, o seu poder desapareceria.

O segredo da Maçonaria, tal como o segredo da vida, só pode ser conhecido por aqueles que o procuram, o servem e o vivem. Não pode ser pronunciado; só pode ser sentido e actuado. É, de facto, um segredo aberto, e cada homem conhece-o de acordo com a sua procura e capacidade. Como todas as coisas que valem a pena conhecer, ninguém pode conhecê-lo por outro e ninguém pode conhecê-lo sozinho. Só é conhecido em comunhão, pelo toque de vida sobre vida, espírito sobre espírito, joelho com joelho, peito com peito e mão com mão.

Por essa razão, ninguém precisa de ficar alarmado com qualquer livro escrito para expor a Maçonaria. É totalmente inofensivo. O verdadeiro segredo da Maçonaria não pode ser descoberto por olhos curiosos ou investigações curiosas. Fazemos bem em proteger a privacidade da Loja; mas o segredo da Maçonaria só pode ser conhecido por aqueles que estão prontos e são dignos de o receber. Só um coração puro e uma mente honesta o podem conhecer, mesmo que sejam adeptos de todos os sinais e símbolos de todos os ritos do Ofício.

De facto, longe de tentar esconder o seu segredo, a Maçonaria está sempre a tentar dá-lo ao mundo, da única forma que lhe pode ser dada, através de uma certa qualidade de alma e de carácter que se esforça por criar e construir. Todos os ofícios da Maçonaria são dedicados à formação do homem, ajudando-o a descobrir-se e a se desenvolver. É uma pedreira na qual as pedras brutas da masculinidade são polidas para uso e beleza.

Se a Maçonaria usa a ilusão do segredo, é porque sabe que é da natureza do homem procurar o que está escondido e desejar o que é proibido. Até Deus se esconde de nós, para que, ao procurá-Lo nas sombras da vida, O encontremos a Ele e a nós próprios. O homem que não se interessa por Deus para O procurar, nunca O encontrará, embora Ele não esteja longe de qualquer um de nós.

Aquele que encara a Maçonaria desta forma descobrirá que a sua vida maçónica é uma grande aventura. É uma descoberta perpétua. Há sempre algo de novo em cada curva, algo de novo em si próprio à medida que a vida se aprofunda com os anos; algo de novo na Maçonaria à medida que o seu significado se revela. O homem que considera os seus graus enfadonhos e o seu Ritual uma parvoíce apenas trai a medida da sua própria mente.

Se um homem conhece Deus e o homem até ao extremo, mesmo a Maçonaria não tem nada para lhe ensinar. De facto, o homem mais sábio sabe muito pouco. O caminho é obscuro e ninguém consegue ver muito longe. Nós procuramos a verdade, e Deus fez-nos de tal modo que não podemos encontrar as verdades sozinhos, mas apenas no amor e no serviço dos nossos semelhantes. Aqui está o verdadeiro segredo, e aprendê-lo é ter a chave para o significado e a alegria da vida.

A verdade não é uma dádiva; é um troféu. Para a conhecer temos de ser verdadeiros, para a encontrar temos de a procurar, para a aprender temos de ser humildes; e para a conservar temos de ter uma mente clara, um coração corajoso e o amor fraterno para a usar ao serviço do homem.

Autor desconhecido

Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:

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