Phronesis Maçónica
Como se atingir a Sabedoria Prática, (Phronesis Maçónica), sem trabalhar?
Em alguns dos diálogos de Platão, Sócrates propõe que a phronesis é uma condição necessária para toda virtude. Aristóteles afirma que ter phronesis é necessário e suficiente para ser virtuoso; porque a phronesis é prática!
Phronesis (grego antigo: φρόνησῐς , romanizado: phrónēsis ), traduzido para o inglês por termos como prudência , virtude prática e sabedoria prática. É uma palavra grega antiga para um tipo de sabedoria ou inteligência relevante para a acção prática. Implica tanto bom julgamento quanto excelência de carácter e hábitos, e era um tópico comum de discussão na filosofia grega antiga e que até os tempos actuais é relevantíssimo.
Somente através da dedicação à nossa Oficina, à prática dos nossos trabalhos (liturgia e estudos) é que podemos ter, (conquistar), condições de atingir a efectividade de aprendizagem e sabedoria prática dos nossos arcanos, atingir a phronesis maçónica – termo criado e utilizado aqui, por este articulista – A Phronesis Maçónica.
Curiosamente, amiúde, a presunção gratuita e audaz de um “Bode arrogante”, leva-nos a presumir que os “pseudo-métodos” do “imediatismo apedeuta”: “o de fazer de qualquer jeito”, ou, “o de empurrar com a barriga”, o de fazer as coisas de “inventiva”; ou na base da “oitiva” e que na hora “H” tudo se resolve como por uma acção de um “espírito miraculoso”, baseando-se nas pífias inspirações momentâneas das nossas fracassadas tentativas, sem qualquer tipo de método maçónico, acreditando debalde que conferirá a aprendizagem suficiente e de alta qualidade a um Maçom, porque “talvez”, puramente “talvez”, tenhamos qualquer tipo de excepcionalidade de inteligência ou uma capacidade “extraordinária” qualquer para aprender, ou que tenhamos um “dom de malabarista equilibrista”, constitui-se num grande e ledo engano funesto!.
No 6º livro da sua Ética a Nicómaco, o aluno e amigo de Platão, Aristóteles, fez uma distinção famosa entre duas virtudes intelectuais: sophia (sabedoria) e phronesis, e descreveu a relação entre elas e outras virtudes intelectuais. Sophia é uma combinação de nous, a habilidade de discernir a realidade, e epistēmē, um tipo de conhecimento que é logicamente construído e ensinável, e que às vezes é equiparado à ciência. Isto envolve raciocínio sobre verdades universais. Phronesis envolve não apenas a habilidade de decidir como alcançar um certo fim, mas também a habilidade de reflectir e determinar bons fins consistentes com o objectivo de viver bem.
Na prática, LER os nossos Rituais Maçónicos, e PRATICAR as nossas Liturgias nas nossas Oficinas Maçónicas são o objectivamente basilar e essencial para se aprender e aprender bem sobre a prática da liturgia do(s) Rito(s) Maçónico(s). Não obstante, subsidiariamente, vêm as demais e diversas outras formas de aprendizagem e sedimentação de aprendizagem, como apenas para exemplificação de poucos: os maravilhosos diálogos com os Mestres; a detida e racional reflexão sobre os ensinamentos contidos nos Rituais; fóruns, encontros, reuniões; as específicas e diversificadas bibliografias maçónicas, e as (não maçónicas ou profanas) que são suscitadas pelos Rituais e pela necessidade de denso e mais amplo entendimento.
É preciso compreender este grande legado do método pedagógico maçónico de carácter eminentemente prático e o conservar da sua tradição histórica aplicado, e entender que, a forma sui generis de aprendizagem maçónica, poder-se-ia dizer, mesmo que com certa imprecisão de rigor de análise filosófica, com similitudes a um método aristotélico, de perguntas e respostas, muito usualmente aplicado na Idade Média, (maçonaria operativa), e conservado nas eras ulteriores, Moderna e Contemporânea, (Maçonaria especulativa), deveu-se, em grande parte, ao carácter de transmissão oral e secreto praticado nas Cantarias e Pubs, e, hoje, escrito e discreto, realizado nas nossas Oficinas (Lojas) Maçónicas, na transmissão dos nossos Arcanos Maçónicos.
Logo, sem a devida atenção que merece a matéria, de pronto, e sem a detida e conscienciosa análise do todo histórico-maçónico, somos amiúde conduzidos a uma pré-conclusão de que “nada temos” ou de que os nossos Rituais e os nossos Mestres não nos ensinam, ou que o método do “imediatismo equilibrista”, (muitas vezes nutrido por muita “salada” ritualística), ou, ainda, talvez, pelos poucos volumes de páginas dos nossos Rituais, que são práticos e concisos, causam certa limitação, certo “atemporalismo” ou “anacronismo cediço” com a era digital de pesquisas, informações e aprendizagens hodiernas. Mas, pelo contrário, condensam verdades e suscitam pesquisas e reflexões, que não perdem de vista dos livros e buscas virtuais em conexão internet; nem tampouco perdem em nada a sua eficácia pedagógica explicada e baseada nos antigos Trivium e Quadrivium, e que se conservam até hoje.
É preciso uma compreensão global e a busca criteriosa de informações. Os Rituais não são enciclopédias, mas uma orientação concisa e prática para a aprendizagem litúrgica maçónica. Mas como aprender sem prática? Como atingir a Sabedoria Prática Maçónica sem a devida e correcta prática nos nossos Ateliês?
Portanto, não se atinge conhecimento maçónico algum, ou phronesis maçónica, sem trabalhar, e trabalhar também é ler reflexivamente os Rituais e praticá-los!. E, sem se ter atitudes prospectivas, sem participar das sessões maçónicas, sem ser proactivo, sem se estar presente na sua Loja e/ou fazer visitações a outros Ateliês maçónicos, do mesmo Rito, como também de Ritos distintos, procurando sempre entender as máximas transmitidas, É IMPOSSÍVEL! atingir a phronesis maçónica. Impossível colher bons frutos. A semeadura pode até ser relativa, posto que ninguém é obrigado a ela, porém, insofismavelmente, a colheita sempre será inevitável, a todos e em cadeia. Façai valer a pena!
Alexandre Fortes, 33º – CIM 285969 – ARLS Cícero Veloso n° 4543 – GOB-PI
Fontes
- https://stringfixer.com/pt/Phronesis
- https://www.scielo.br/j/rac/a/wsP8Jktd7375C3M9ZvL5bmn/?lang=pt
