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O Grau de Mestre Secreto: revisão conceptual e iniciática do Ritual

✍️ Desconhecido 📅 03/11/2026 👁️ 7 Leituras
Avental Grau 4 - Mestre Secreto (REAA)
Avental de Grau 4 – Mestre Secreto (REAA)

O ensino do Grau de Mestre Secreto na Loja de Perfeição é centrado na busca da Palavra Perdida após o assassinato de Mestre Hiram, um evento “que eclipsou a Luz e a Verdade” e privou a Humanidade da candura resplandecente da Inocência.

Este ensinamento corresponde a um aprofundamento do simbolismo do Templo de Salomão, com base na lenda do 3º Grau. Mestre Hiram é substituído no seu posto e os seus assassinos serão perseguidos, descobertos e punidos.

Aqui está a essência basilar do Grau de Mestre Secreto, o primeiro dos Graus Salomónicos, o primeiro Grau de Perfeição e quarto Grau do REAA, o qual nos permite entrar nas “Altas esferas” do conhecimento espiritual.

Quem é o Mestre Secreto?… O Mestre Secreto é um dos sete Mestres nomeados pelo Rei Salomão para o posto de Levita. Os Levitas, membros da Tribo de Levi – uma das doze tribos de Israel – eram autorizados a guardar e transportar a Arca da Aliança.

Os Levitas terão de continuar o trabalho de Mestre Hiram – a conclusão do Templo, com a colocação da sua “Pedra de Fecho” – e também construir o túmulo de Mestre Hiram. Entre os Levitas está Adonhiram, o primeiro deles, o “Chefe de Obras”.

Segundo a Lenda, Adonhiram, filho de Abda, da tribo de Dan, tinha conduzido os trabalhos do Templo antes da chegada a Jerusalém de Hiram Abiff, de quem era amigo. Ele foi, então, enviado ao Monte Líbano para dirigir os Trabalhadores encarregados de cortar os cedros destinados à construção de Templo de Salomão. Eis, então, que ele é chamado de volta a Jerusalém, após a morte de Mestre Hiram …

Como Levita, o Mestre Secreto tem acesso ao interior do Templo. Ele cruzou a soleira e, agora, está no Canteiro de Obras, diante do “Santo dos Santos” – o “Sanctum Santorum”.

Esta mudança de dimensão reflecte, também, a passagem do Esquadro ao Compasso.

O Mestre do Segredo é possuidor da Chave de Marfim – aquela que, um dia, permitirá o acesso aos Mistérios dos Altos-Graus da Arte Real.

No Grau de “Mestre Secreto” o Mestre aprende a “guardar o Segredo, ser obediente e permanecer fiel”.

Finalmente, o Mestre Secreto tem 3 vezes 27 anos completos – 81 anos, portanto, os mesmos que meu pai completou no dia em que fui recebido Mestre Secreto na minha Loja de Perfeição, no dia 22 de Novembro de 2025.

A decoração do templo simboliza luto e tristeza pela morte trágica e criminosa de Mestre Hiram Abiff.

O Templo é enfeitado de preto e pontilhado de lágrimas de prata. Os “plateaus” e o Altar dos juramentos são cobertos de preto.

Sobre o volume da Lei Sagrada, aberto no Primeiro Livro dos Reis, a jóia do Grau: uma Chave de Marfim cujo segredo tem a forma de letra “Z”.

Na Plataforma do Venerável Mestre, uma Coroa de Louros e Folhas de Oliveira.

O Cartucho, representado como um enorme círculo contendo um triângulo, ele próprio contendo a Estrela ardente e flamejante!

A Estrela representa o Iniciado no Grau de Mestre Secreto, o Triângulo representa o Espaço Sagrado e o Círculo simboliza o domínio do Espírito. Ou não fosse esta uma Loja de Mestres Maçons …

O Três Vezes Poderoso Mestre representa o Rei Salomão; o Primeiro Vigilante representa Adonhiram.

Na Cerimónia de Recepção do Mestre Secreto, um véu impede que Este veja o que está a suceder: assim como não vemos bem, não podemos entender bem.

O Véu simboliza aquilo que obscurece a Luz da Verdade – todos os inimigos das virtudes morais cívicas e maçónicas.

A Corda no Pescoço simboliza o que permanece escravo na essência do Homem; permite que o Mestre de Cerimónias guie aquele que ainda não vê o suficiente – somente vislumbra ou adivinha …

O Três Vezes Poderoso Mestre fecha os lábios do Recipiendário com o selo do Segredo: é o Selo Real de Salomão e o símbolo da discrição maçónica.

O Mestre Secreto realiza, então, 4 (quatro) viagens iniciáticas.

Resumindo, são elas:

  • 1ª Viagem: não forje ídolos humanos, decida por si mesmo; não tome palavras por ideias e esforce-se, sempre, por descobrir a ideia ou o conceito sob o símbolo.
  • 2ª Viagem: não se preocupe com palavras; ouça os Homens e tenha a firme resolução de entendê-los; respeite todas as Opiniões – a Verdade Absoluta é inacessível à Mente Humana …
  • 3ª Viagem: o apelo à Humildade – só munido dela poderemos aprender e conservar o conhecimento adquirido.
  • 4ª Viagem: amar a Justiça e trilhar sempre os seus Caminhos.

Em seguida, a ênfase é colocada no cumprimento do Dever. O Dever deve ser desinteressado. Ele é a “Grande Lei da Maçonaria”. É tão inflexível quanto a fatalidade, tão exigente quanto a necessidade e tão imperioso quanto o Destino.

A Máxima da Antiga Maçonaria é lembrada:

“a senda do Dever conduz à Verdade; o caminho do Dever leva à verdadeira Luz”.

O Dever é, portanto, igualado à Verdade, à Luz e à busca da Palavra Perdida.

Este Trabalho deve ser orientado para a Transcendência, para o Intangível, para o Imaterial, tanto quanto ao autoconhecimento como ao conhecimento de tido o que nos é exterior e nos rodeia.

O Dever é um Trabalho quotidiano, um Trabalho que não espera: não nso demoremos, portanto, em “caminhos floridos”, susceptíveis de nos desviarem da nossa missão primordial, da nossa mística essência de ligação com Deus, Supremo Arquitecto do Universo.

Como diria José Saramago, nosso Prémio Nobel da Literatura (1998),

“não tenhamos pressa mas não percamos tempo” (sic).

Finalmente, o Mestre Secreto é recebido sob o Louro e a Oliveira, passando do Esquadro ao Compasso, do Nadir ao Zénite.

Ele é, assim, coroado, na esperança e expectativa dos seus futuros sucessos e da sua vitória final.

Os Louros são o emblemada vitória que ele deve conquistar sobre as suas paixões – é a vitória do Esforço e do Trabalho.

Per ardua, surgo – “pelo Esforço, venço”.

Os ramos de oliveira representam a paz de Espírito e a União que deve reinar sempre entre os Irmãos – só podemos progredir quando estamos em Paz connosco e com os Outros.

A chave de marfim com a letra “Z” (“Ziza”) no seu segredo é o emblema da discrição: é a Jóia do Mestre Secreto.

“Ziza” significa “Resplendor”. Mas pode, também, significar “Balaustrada” em referência à barreira que separa o Mestre Secreto do “Sactum Santorum”.

O Mestre Secreto ainda não obteve permissão para atravessar a Balaustrada e entrar no “Santo dos Santos”, local sagrado de conhecimento dos Mistérios mais secretos da Maçonaria …

ECE, M. M.

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