NÚMERO DE NÓS NA CORDA (PAINEL DO GRAU)
Em 01/04/2026 o Irmão Companheiro Maçom Robson José Oliveira Martins, Loja Universitária de Cascavel, 3289, REAA, GOB-PR, Oriente de Cascavel, Estado do Paraná, apresenta a questão seguinte.
CORDA COM NÓS
Em primeiro momento, expresso meu respeito e a grande alegria que escrevo essa mensagem ao Irmão, trago uma dúvida para submeter à sua elevada apreciação uma questão de natureza ritualística, surgida durante estudo realizado acerca do Painel do Grau de Companheiro no âmbito do Rito Escocês Antigo e Aceito.
Especificamente, a dúvida refere-se à quantidade de nós presentes na corda que circunda o painel. Conforme a leitura ritualística adotada em Loja, em minha percepção de recém elevado a C∴ M∴ vejo existência de três nós. Todavia, alguns Irmãos sustentam a interpretação de que seriam cinco, 7 ou 12 nós, o que gerou divergência construtiva durante o pré-projeto dos trabalhos.Buscando maior aprofundamento, consultei algumas obras que pouco falam sobre o número exato, encontrei na obra "50 instruções de Companheiro", Raymundo Delia Junior na qual se reforça a compreensão de três nós no contexto do REAA, ainda que haja menção simbólica ou interpretativa que deveria remeter ao número cinco, possivelmente em associação a outros elementos do grau.
Diante disso, e considerando sua reconhecida autoridade e profundidade nos estudos maçônicos, venho respeitosamente solicitar sua análise acerca do tema, especialmente no que tange à correta leitura ritualística e à distinção entre o símbolo formal e suas possíveis interpretações filosóficas.
Desde já, agradeço pela atenção dispensada e pela constante contribuição ao aprimoramento dos estudos na Ordem.
COMENTÁRIOS
Não existe um padrão quantitativo para o número de “nós” que aparece em cada uma das “cordas” desenhadas nos painéis. Esclareça-se que no decorrer do século XIX, principalmente na França, concomitante aos ritos maçônicos que iam paulatinamente aparecendo, uma enorme quantidade de painéis também era elaborada, muito ao gosto dos artistas da época.
Um detalhe interessante a respeito, que deve ser levado em consideração, é que muitos desses painéis abrangiam, em um mesmo quadro, dois graus, principalmente para Lojas de Aprendiz e Companheiro. Assim, era comum que um mesmo painel servisse para dois graus.
Em se tratando da sua origem histórica e seu significado, conforme o rito a “corda” de sisal corresponde à cerca que delimitava cada canteiro de obra operativo da Maçonaria. No tocante ao seu significado especulativo, especialmente no REAA a corda acabaria se consagrando como a “Corda com 81 Nós”.
Em relação a esses nós, na Maçonaria Especulativa eles ficariam conhecidos como os laços do amor, enquanto que a corda que contorna o templo (canteiro) é um símbolo representativo da união dos Irmãos agregados no seio da Loja. Esotericamente, significa a “resistência pela união”, sobretudo pelo formato que lhe dão as fibras trançadas e retorcidas, tornando-a mais resistente. A corda também simboliza a força dos operários unidos em prol de um mesmo objetivo.
Além disso, essa corda também é uma reminiscência do antigo cordel com 12 nós, instrumento com o qual se aplicavam as propriedades do triângulo retângulo pela 47ª Proposição de Euclides (Teorema de Pitágoras), elemento geométrico essencial para a construção dos "cantos da obra". Essa prática operativa se dava a partir da pedra angular da construção, a qual, como ponto de partida, primitivamente era fincada no canto nordeste da obra.
Assim, tanto a “corda” como o “cordel” representados nos diversos painéis elaborados na França, a partir do século XVIII, sugerem essas interpretações. O número de nós aplicados na corda, ou cordel, é simbólico. Possivelmente pela falta de espaço na distribuição dos símbolos sobre o painel, os artistas desenhavam a corda apenas com um número representativo de nós, às vezes com três, outras com cinco, com sete, com doze, nove e mais.
Basicamente são esses os breves comentários sobre a história da “corda” e do “cordel” nos painéis das Lojas de Aprendiz e de Companheiro. Quanto as interpretações, vai depender do arcabouço doutrinário de cada rito.
T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
http://pedro-juk.blogspot.com.br
JUN/2026
