Maçonaria no Sítio do Pica-pau Amarelo
Quem já foi criança (e creio que muitos de vós foram crianças… ou permanecem crianças) deve maçonaria ter lido o livro de Monteiro Lobato “História das Invenções” onde Dona Benta conta ao Pedrinho e à Narizinho sobre as invenções – como surgiram os aviões, o telefone, a batedeira de bolos e muitas outras coisas. Dona Benta Encerrabodes de Oliveira (esse era o nome completo da avó) ressaltava o facto de que invenções são apenas meios para aumentar o poder do nosso corpo. Por exemplo: um martelo serve para aumentar a força do nosso murro; o serrote para cortar coisas duras melhor do que fariam os nossos dentes e assim por diante. Depois daquele tempo, quando ainda existiam sítios do pica-pau-amarelo, avós contadoras de histórias e meninos interessados em aprender, vieram os tempos da tolice:
Inventaram o smartphone, o Facebook e o WhatsApp que servem para manter as pessoas amigas à distância; o NetFlix que traz a doce ilusão de que estamos a assistir a bons filmes; a urna electrónica, o cartão de crédito, as dietas para perder a barriga, os noticiários da televisão e assim por diante. Dona Benta Encerrabodes de Oliveira já não estava entre nós para explicar o porquê desta estupidez toda…
Em termos de Maçonaria não ficamos atrás. O conteúdo dos rituais depende da forma: a linguagem – complexo sistema de comunicação – assim como da visão antropológica e cognitiva dos signos convencionais, sonoros, gráficos e gestuais empregados. O significado desses textos, que à primeira vista podem parecer ingénuos, foi moldada por intelectuais da Royal Society de Inglaterra (ou dos grupos Iluministas de França) para o uso da Maçonaria no Século XVIII que iniciava pessoas dos mais variados níveis de conhecimento ou intelectualidade.
Modernamente tudo está escancarado sob o pretexto de que a Maçonaria “não é secreta e sim discreta” – jogo de palavras dos que têm aversão ao estudo ou desprezam o facto de que, durante os anos de formação e em tempos de severa perseguição, a Fraternidade teve que se valer de “segredos” destinados à realização de habilidades específicas, dentro e fora das Lojas: “nolumus leges mutari”, diz a norma do Landmark n°25 adoptada do livro dos Provérbios 22:28 – “não removais os limites que os vossos antepassados estabeleceram” – em inglês antigo: “Remove not the ancient landmark which thy fathers have set”.
O facto é que nossas LEIS MAIORES, as “Constituições de James Anderson” e os “Landmarks” (a lista mais conhecida é a compilada por Albert Gallatin Mackey, em nenhum momento apresentam alusões republicanas de “poder executivo” maçónico – nem de ministros, delegados, deputados, governadores ou juízes.
Antigos preceitos (datados de há séculos) prevêem as “reuniões gerais”, denominadas de “Assembleias Gerais”, ou “Assembleias Gerais Plenárias” trimestrais, onde todos os Irmãos, inclusive Companheiros e Aprendizes, gozam do direito de representação através dos seus legítimos representantes – os Veneráveis Mestres eleitos nas suas respectivas Lojas.
A Grande Loja Maçónica de Minas Gerais adoptou um sistema landmarkiano menos rígido – conforme ensina o nosso Grão-Mestre Ad Vitam, Janir Adir Moreira (vide livro de minha autoria “História, Fundamentos e Formação da GLMMG, 1994, página 62):
Trata-se, diz ele – de “uma Directoria composta pelo Grão-Mestre (Presidente), o Grande Primeiro Vigilante (Primeiro Vice-Presidente) e o Grande Segundo Vigilante (Segundo Vice-Presidente), mais duas Câmaras: a Legislativa e a de Justiça Maçónica. A Assembleia Geral Plenária, constituída por todas as Lojas maçónicas jurisdicionadas, representadas pelos seus respectivos Veneráveis, tem poder de decisão em última instância no âmbito da Grande Loja; e a Câmara Superior de Recursos, órgão judicial da Assembleia Geral Plenária, é composta de onze Veneráveis Mestres. Ambas, a Assembleia Geral Plenária e a Câmara Superior de Recursos são presididas pelo Grão-Mestre”.
BINGO! este é o melhor sistema adaptado aos novos tempos e à vida republicana, pois prioriza a colectivização das decisões.
Uma coisa é certa: se a Maçonaria continuar “imitando a República” (que ajudamos a fundar em 1889, e que se degenerou, desde então, numa série de golpes e na ferrenha perseguição da Ordem pela ditadura Vargas) – se continuarmos reproduzindo os desacertos do sistema republicano actual, certamente frequentaremos as piores páginas do noticiário, na contramão daquilo que é a nossa missão:
“Uma Instituição que tem por objectivo tornar feliz a humanidade, pelo amor, pelo aperfeiçoamento dos costumes, pela tolerância, pela igualdade, pelo respeito à autoridade e à religião de cada um”.
JÁ QUE TODA A GENTE INVENTA, VOU INVENTAR TAMBÉM – se a ideia for boa e não ferir James Anderson nem Albert Gallatin Mackey, adoptem. Não vou cobrar Royalties.
Sou da opinião que o melhor sistema para os dias de hoje – aperfeiçoando a colectivização das decisões acima apresentada – seria a criação de um CONSELHO CONSULTIVO DE MAÇONARIA composto por um número razoável de maçons assim escolhidos:
- um terço (1/3) de veteranos Mestres Instalados (decanos) que estejam no activo e se interessem pelo bem estar da Maçonaria, escolhidos pelo Grão-Mestrado segundo critérios de mérito e honradez;
- um terço (1/3) de Veneráveis Mestres mais votados pelo povo maçónico em Assembleia Geral Plenária;
- um terço (1/3) de Maçons (independente de serem Mestres Instalados) – escolhidos pelo Grão-Mestrado segundo critérios de mérito e honradez.
Unamo-nos! GRANDE É A MAÇONARIA; GRANDE É O ESPÍRITO DA MAÇONARIA!
José Maurício Guimarães
