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Colunas B e J dentro do Templo: uma provocação ao estudo

✍️ Desconhecido 📅 17/10/2026 👁️ 15 Leituras

colunas

A posição das Colunas B e J no Templo do Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA) é um assunto que merece ser estudado com atenção. Este texto não pretende dar uma resposta definitiva. A intenção é apenas provocar uma reflexão: seriam as Colunas B e J mais bem compreendidas quando colocadas dentro do Templo, junto à porta de entrada?

A questão é importante porque, na Maçonaria, os objectos não estão presentes apenas para ornamentar o Templo. Eles fazem parte do simbolismo e da pedagogia maçónica e, assim como as ferramentas e os elementos da antiga Maçonaria Operativa, são utilizados pela Maçonaria Especulativa para transmitir ideias e ensinamentos. Assim, aquilo que vemos pode ajudar-nos a compreender aquilo que não vemos.

Aplicando este princípio às Colunas B e J, podemos fazer uma pergunta simples: se elas são utilizadas para ensinar, não seria melhor que estivessem à vista dos Irmãos durante os trabalhos?

É importante separar o que está escrito na Bíblia daquilo que foi criado ou interpretado posteriormente pela tradição maçónica. Os textos bíblicos, ao descreverem o Templo de Salomão, mencionam duas grandes colunas, chamadas Jaquim e Boaz. Em 1 Reis 7:21, elas aparecem relacionadas ao pórtico do Templo. Em 2 Crónicas 3:15-17, são apresentadas como estando diante do Templo, uma de cada lado.

Portanto, nas Escrituras encontramos as duas Colunas com os nomes de Jaquim e Boaz, a sua relação com o pórtico, a proximidade com a entrada do Templo e a sua importância na construção. Mas há algo que não encontramos: a Bíblia não chama Jaquim e Boaz de “colunas vestibulares”. Esta expressão pertence à linguagem de costumes maçónicos, utilizada muito provavelmente porque os manuais reguladores do século XIX denominavam como “vestíbulo” a sala que antecede o Templo, e não “átrio”, como ocorre actualmente.

O que nos parece conclusivo é a menção às “Colunas diante do Templo” encontrada nas Escrituras, enquanto a denominação “Colunas vestibulares” é de concepção maçónica, e não uma expressão bíblica. Portanto, “diante do Templo” não significa necessariamente fora do Templo ou no vestíbulo (átrio).

A Bíblia não diz simplesmente que Jaquim e Boaz estavam “fora do Templo”. Em 1 Reis, elas são relacionadas ao pórtico. O pórtico é justamente uma área de passagem entre o exterior e o espaço do Templo. Assim, podemos imaginar as colunas junto à entrada, integradas à arquitectura do pórtico.

Isto, naturalmente, não significa que o pórtico do Templo de Salomão seja exactamente igual ao átrio de um Templo maçónico do REAA. São construções diferentes e fazem parte de sistemas diferentes.

A descrição bíblica permite uma pergunta: se as colunas estavam junto ao pórtico e à entrada do Templo, seria necessário colocá-las fora do espaço onde os maçons realizam os seus trabalhos?

A Maçonaria ensina por meio de palavras, mas também e, principalmente, por meio de símbolos. O Aprendiz não apenas ouve falar do esquadro; ele vê o esquadro. Não apenas ouve falar do nível; ele vê o nível. Não apenas ouve falar do prumo; ele vê o prumo. Esses objectos ajudam a transformar uma ideia abstracta em algo que pode ser visto e lembrado.

Com as Colunas B e J não seria diferente. As colunas deixam de ser apenas partes de uma construção e passam a representar ensinamentos que o Maçom vai compreendendo aos poucos. Sendo assim, como as Colunas B e J fazem parte da pedagogia maçónica, não seria importante que permanecessem visíveis durante os trabalhos?

Quando as colunas ficam no átrio, o Maçom entra no Templo e as deixa para trás. O símbolo continua existindo, evidentemente, mas já não está diante dos olhos daqueles que estão recebendo as instruções. Será que isso é realmente o que se pretende?

Não seria melhor compreender que as colunas, posicionadas junto à porta, mas dentro do Templo, continuariam representando o limite e a passagem, ao mesmo tempo em que permaneceriam presentes durante os trabalhos?

É interessante lembrarmos que a tradição maçónica relaciona as Colunas B e J às colunas de fogo e de nuvem mencionadas no livro do Êxodo, quando o povo hebreu era conduzido por uma coluna de nuvem durante o dia e por uma coluna de fogo durante a noite. O REAA adoptou essa alegoria justamente pela função muito clara dessas colunas de guiar o povo, indicando o caminho.

Se a tradição maçónica relaciona estas imagens com as Colunas B e J, não seria mais pedagógico que elas permanecessem visíveis para aqueles que estão percorrendo o caminho iniciático?

Uma característica importante do ensinamento maçónico é partir de algo concreto para chegar a uma ideia –  do objecto para o pensamento. A Pedra Bruta pode lembrar o homem que precisa aperfeiçoar-se; o Prumo pode lembrar a rectidão; o Nível pode lembrar a igualdade; o Esquadro pode lembrar a correcção das acções. O mesmo acontece com as Colunas Jaquim e Boaz, que podem representar diferentes ensinamentos e conceitos presentas nas instruções.

Sendo assim, colocá-las num lugar fora da visão dos obreiros durante os trabalhos não acabaria diminuindo a relação entre o símbolo e o ensinamento? Não é exactamente isso que acontece quando o próprio ritual fala das colunas, mas o Irmão não pode vê-las naquele momento?

Paulo Roberto Marinho de Almeida, Grande Comissão Permanente de Liturgia do REAA – Grande Loja Maçónica do Estado do Rio de Janeiro

Bibliografia

  • Rituais dos Graus Simbólicos do REAA – GLMERJ
  • Guia dos Maçons Escocezes – 1834
  • Bíblia Sagrada.

Jaquim e Boaz no Átrio: uma justificativa que precisa ser demonstrada

Quando se questiona a colocação das colunas Jaquim e Boaz no Átrio, as justificativas mais frequentes parecem resumir-se a duas:

  1. São “colunas vestibulares” e, portanto, devem estar no vestíbulo ou Átrio.
  2. No Templo de Salomão estavam fora do Templo e, por isso, também devem estar fora do espaço ritual maçónico.

Mas é justamente aí que começa a questão.

De onde vem a expressão “colunas vestibulares”? Ela não é uma denominação encontrada no relato bíblico. Trata-se de uma interpretação posterior, que não pode ser utilizada como se fosse uma determinação das Escrituras.

E quanto à segunda justificativa, é preciso perguntar: o relato bíblico realmente afirma que Jaquim e Boaz estavam fora do Templo, no sentido de estarem no Átrio exterior?

A resposta não é tão simples quanto se costuma afirmar.

Os textos bíblicos descrevem as colunas como relacionadas ao pórtico do Templo, diante dele. Transformar esta descrição numa certeza de que as colunas estavam no Átrio, separadas do edifício, é acrescentar ao texto uma conclusão que ele próprio não apresenta de maneira inequívoca.

Há, portanto, uma diferença importante entre o que o texto bíblico diz e aquilo que posteriormente se interpretou a partir dele.

E existe ainda uma questão que não pode ser ignorada: a Maçonaria não reproduz simplesmente a planta arquitectónica do Templo de Salomão. Ela utiliza elementos do Templo como instrumentos de ensino simbólico.

Neste contexto, a pergunta deixa de ser apenas arquitectónica e passa a ser pedagógica:

Qual é a razão maçónica para colocar Jaquim e Boaz fora do Templo, justamente no Átrio, quando elas constituem elementos simbólicos fundamentais da própria entrada no espaço iniciático?

Se a resposta for apenas que são “vestibulares”, é necessário demonstrar a origem e o fundamento dessa classificação.

Se a resposta for que “no Templo de Salomão estavam fora”, é necessário demonstrar que o relato bíblico realmente sustenta essa conclusão.

Sem esta demonstração, estamos diante de uma interpretação transformada em regra.

E talvez seja exactamente aí que esteja o ponto mais importante para o estudo ritualístico: não devemos confundir tradição interpretativa com fundamento histórico, bíblico ou maçónico.

Questionar a localização das colunas não significa negar a sua importância. Ao contrário: significa levar a sério o simbolismo de Jaquim e Boaz e perguntar se a disposição que lhes damos no Templo realmente corresponde àquilo que pretendemos ensinar.

Em ritualística, uma prática não se torna necessariamente correcta porque foi repetida durante muito tempo. Ela precisa também ser capaz de responder à pergunta: porquê?

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