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As sete Artes Liberais

✍️ Desconhecido 📅 12/12/2024 👁️ 6 Leituras

sete artes liberais

Foi durante o reinado de Carlos Magno que as Sete Artes Liberais se tornaram um currículo disciplinar, para fins de ensino. Organizadas por Alcuíno, capelão–mor daquele rei, as disciplinas foram divididas em duas partes: o trivium (retórica, gramática e lógica) e o quadrivium (aritmética, música, geometria e astronomia). Esta divisão já vinha sendo aplicada desde os tempos de Aristóteles, e durante o Império Romano, este era o currículo que orientava a aprendizagem dos cidadãos bem educados de Roma.

As Sete Artes Liberais estão vinculadas a outros conhecimentos tradicionais e apresentam grandes simetrias com outras disciplinas, especialmente a astronomia. Neste sentido, é possível fazer uma analogia com o simbolismo dos planetas, relacionando a retórica com Vénus; a gramática com a Lua; a lógica com Mercúrio; a aritmética com o Sol; a música com Marte; a geometria com Júpiter e a astronomia com Saturno.

Nos tempos de Roma, e mais tarde, durante a época de Carlos Magno, o estudante das Artes começava a sua vida escolar aos catorze anos, estudando, em primeiro os chamados “três caminhos” do trivium, que o monge Pedro Abelardo (1079-1142) chamava de os três componentes da ciência da linguagem. Esta tríplice disciplina era composta pela gramática ( a ciência de falar sem erro), a dialéctica,( a aprendizagem que consiste em saber distinguir o verdadeiro do falso), e a retórica, que é a disciplina que nos ensina a arte da persuasão.

O trivium era o que poderíamos chamar, numa analogia com a educação moderna, o primeiro grau da aprendizagem. De facto, para o aluno poder aprender outras coisas era preciso primeiro aprender a falar, a escrever e a pensar. Por isso tinha que aprender gramática, retórica e dialéctica. Sem estes conhecimentos, dificilmente o estudante conseguiria acompanhar o difícil e rigoroso método escolástico de ensino, que se fundamentava principalmente na lógica de Aristóteles. Depois vinha o quadrivium, como uma espécie de segundo grau, para complementar a aprendizagem do estudante. Em algumas escolas americanas, especialmente aquelas que seguem o modelo clássico, ainda se trabalha com um currículo semelhante, para os alunos que se desejam tornar Master-of-Arts. No Brasil, até algumas décadas atrás, o chamado ensino clássico também guardava alguma semelhança com este modelo [1].

A importância do trivium é que cada elemento contém potencialmente as habilidades filosóficas exigidas para a vida intelectual madura. É uma pena que este sistema tenha sido banido das escolas brasileiras, substituído por um currículo que só sobrecarrega a mente do aluno com informações, ( muitas vezes inúteis para a careira que ele escolheu, ou mesmo para os seus projectos de vida) sem ensiná-lo a usá-las adequamente.

Desta forma, a Maçonaria, ao recuperar a importância das Sete Artes Liberais e inclui-la no programa de aprendizagem maçónica, presta um grande serviço à educação. Que o Irmão possa realmente se valer disso [2].

João Anatalino Rodrigues

Do livro “Mestres do Universo”, publicado pela Ed. 24×7, São Paulo, 2010

Notas

[1] As Lojas maçónicas dos Estados Unidos, na sua grande maioria, praticam o chamado Rito do Real Arco. Este rito tem uma profunda ligação com motivos astrológicos e é um dos mais ricos em conhecimentos arcanos.

O próprio termo Arco Real está conectado com a simbologia do Zodíaco e a sua liturgia (palavras de passe, sinais, toques e posturas em Loja) guardam uma estreita analogia com esses motivos.

[2] No Rito Escocês Antigo e Aceito, as Sete Artes Liberais são objecto de estudo no Grau 31. Também estão conectadas com a simbologia da Escada Mística do Kadosh.

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