Alteridade, Egrégora e Irmandade (I)
1 – Explique-nos, de forma resumida, porquê este costume de nos tratarmos como IRMÃOS
A origem do cordial tratamento de “Irmão” adoptado pelos Maçons pode ser relacionado aos tempos de Abraão. Reza a história que Abraão e sua mulher ensinavam no Egipto as sete ciências e entre os seus discípulos estava Euclides que, por sua capacidade diferenciada não demorou a se tornar mestre nestas ciências.
A partir de então, Euclides, nas suas aulas, estabelecia regras de conduta para que os seus discípulos; em primeiro lugar, cada um deveria ser fiel ao rei e ao país de nascimento; em segundo lugar, cumpria-lhes amarem-se uns aos outros e serem leais e dedicados mutuamente. Para que os seus alunos não descuidassem destas últimas obrigações, ele sugeriu aos mesmos que se dessem, reciprocamente, o tratamento de “Irmão” ou “Companheiros”.
Aprovando inteiramente esse costume da escola de Euclides, a Maçonaria resolveu adoptar entre os seus iniciados, que receberam com todo o agrado, sem nenhuma restrição, passando a ser um costume nos diversos corpos da ordem. Traduz uma forma muito afectiva e agradável a todos os corações dos que militam nos nossos templos.
Os Maçons são Irmãos por terem recebido a mesma iniciação, os mesmos modos de reconhecimento e foram instruídos no mesmo sistema de moralidade. Além da amizade fraternal que nos deve unir, nós Maçons somos simbolicamente filhos da mesma mãe. A mãe terra, representada pela deusa egípcia Ísis, viúva de Osíris, o sol e a mãe de Hórus.
Durante a iniciação quando o recipiendário recebe a luz, os seus novos Irmãos juram protegê-lo sempre que for preciso. A partir daquele momento, todos que a ele se referem o tratam como Irmão.
Quando se é iniciado numa Loja – a iniciação é um “renascimento” simbólico – ganha-se de imediato uma série de Irmãos, como se tivesse nascido numa família numerosa. Neste registro, os maçons têm, uns para com os outros, deveres e respeito, solidariedade e lealdade, que podem ser equiparados aos deveres que unem os membros de uma célula familiar. Porém, do mesmo modo que nem todos os Irmãos de sangue são os melhores amigos, também na Maçonaria o mesmo sucede.
Não pensemos que todos se relacionam do mesmo modo. Somos seres humanos e assim, todos os maçons são diferentes, têm distintos interesses, e nenhum vive a Maçonaria de forma igual, cada um vive com a sua personalidade.
2 – Dê-nos o conceito geral e teosófico de EGRÉGORA, tentando compará-los.
A palavra egrégora vem do grego egrêgorein, velar, vigiar, é como se denomina a força espiritual criada a partir da soma de energias colectivas (mentais, emocionais) fruto da congregação de duas ou mais pessoas. O termo pode também ser descrito como sendo um campo de energias extrafísicas criadas no plano astral a partir da energia emitida por um grupo de pessoas através dos seus padrões vibracionais.
Segundo as doutrinas que aceitam a existência de egrégoras, elas estão presentes em todas as colectividades, seja nas mais simples associações, ou mesmo nas assembleias religiosas. Sendo assim, todos os agrupamentos humanos possuiriam as suas energias características (empresas, clubes, igrejas, famílias, partidos, etc.), nas quais as energias dos indivíduos se uniriam e formariam uma entidade autónoma e mais poderosa que a simples soma aritmética das energias dos indivíduos.
A egrégora seria capaz de realizar, no mundo visível e palpável, as aspirações transmitidas ao mundo invisível pela colectividade geradora. Em síntese, uma egrégora participaria activamente de qualquer meio, seja ele físico ou abstracto. Quando a energia é deliberadamente gerada, ela formaria um padrão, ou seja, teria a tendência de se manter como está e de influenciar o meio ao seu redor. As egrégoras podem ser descritas como concentrações ou esferas energéticas criadas quando várias pessoas têm um mesmo objectivo. Trata-se de um conceito místico-filosófico com vínculos muito próximos à teoria das formas-pensamentos, na qual todo pensamento e energia gerada têm existência, podendo circular livremente pelo cosmo.
Pode-se exemplificar a egrégora ao analisar um ambiente de uma missa, ou um encontro de algumas pessoas voltadas para promover um mesmo fim, seja a cura de alguém, o fim de um problema ou superação de uma perda tem um grande poder de formar egrégoros.
Um egrégoro se caracteriza, em última análise, pelo “espírito” ou “consciência” formado pela congregação, maior do que a soma dos seus membros e cujas existências são cruciais para a sua formação.
Qualquer tipo de congregação é a condição necessária para a formação de uma egrégora, que seria as muitas mentes voltadas para um único objectivo, gerando tal concentração de energias.
Conceito teosófico de egrégora:
Théos: Deus + sophos: ciência. Teosofia é o conjunto de doutrinas religioso-filosóficas que têm por objecto a união do homem com a divindade, mediante a elevação progressiva do espírito até a iluminação.
O pensamento teosófico diverge do pensamento filosófico, na medida em que procura o conhecimento de Deus através de uma iluminação especial, ou um processo intuitivo, que ignora o processo dedutivo que é próprio da filosofia. Também diverge do pensamento religioso, já que não se prende à revelação dos dogmas transmitidos em nome da divindade.
A teosofia encontra eco em diversas outras linhas de pensamento, especialmente religiosas. Segundo ela, as incontáveis formas de pensamento em que vivemos mergulhados nos afectam continuamente. Portanto, ter conhecimento delas pode nos permitir utilizá-las em nosso favor, ou ao menos evitar que sejamos influenciados negativamente. Funcionaríamos, segundo essa visão, de forma semelhante a um aparelho de rádio, sintonizando, através dos nossos pensamentos e emoções, as frequências das egrégoras ao nosso redor, e dessa forma potencializando os seus efeitos, tanto nos nossos corpos quanto na própria egrégora, o que tornaria a sua existência mais longa.
Assim no conceito geral, a egrégora consiste na energia emanada na colectividade, pois todos os agrupamentos humanos possuem as suas energias características, sendo estas somadas de indivíduos a indivíduos que se fundem numa força maior que a soma aritmética das energias dos indivíduos. Assim estas forças não se somam e sim se multiplicam.
No conceito teosófico a egrégora e procurada pelo conhecimento de Deus, através de uma iluminação especial, um processo intuitivo e não um processo dedutivo que é próprio da filosofia.
3 – Somos um grupo relativamente grande com alguns interesses comuns, contudo, com uma visão própria destes interesses, contrapondo-se, com frequência, a visão individual e colectiva. Para manter esta EGRÉGORA, o quanto é importante o desenvolvimento individual do ESPÍRITO COLECTIVO? Que competências básicas seriam necessárias para auxiliar e positivar este ESPÍRITO DE COLECTIVIDADE? Alguma sugestão de como as estimular?
Interesses
O tópico apresentado inicia destacando que o nosso grupo é grande e está unido em virtude de alguns interesses comuns e que cada qual tem o seu ponto de vista acerca destes interesses comuns, que nem sempre são coincidentes, aliás em muitas vezes são divergentes no todo ou em parte.
Esta afirmação leva a uma primeira reflexão acerca destes chamados interesses comuns. Será que todos os Irmãos realmente estão inseridos na irmandade pelos motivos ou interesses correctos?
Imagino que nem todo Maçom deva ingressar na ordem com o verdadeiro objectivo de lapidar a pedra bruta interior, de melhorar como pessoa e elevar a sua alma. Digo que imagino, pois não é esse o meu caso. Fico feliz ao perceber que sempre que faço esta mesma reflexão, acerca das razões que me levaram e me mantem na Maçonaria, ratifico a minha convicção que entrei na Maçonaria pelas razões certas, quais sejam, melhorar a minha conduta e evoluir espiritualmente, buscando extirpar ou minimizar os meus defeitos.
Claro que neste curto período inserido na ordem, pude observar que nem tudo são flores, e sim, já me decepcionei com pessoas inseridas na Maçonaria, mas nunca com a MAÇONARIA, os seus princípios e conceitos.
Os princípios maçónicos são únicos, o que diverge são as interpretações existentes, e desta forma, deve a alteridade ser praticada continuamente, facilitando a lapidação e o encaixe das peças.
Entendo que o interesse do Maçom seja adquirir conhecimento, viver em harmonia com os seus Irmãos, e evoluir espiritualmente lapidando a sua pedra bruta interior, e desta forma modificar o mundo à sua volta. Ocorrendo divergência de interpretação ou opiniões em qualquer aspecto, seja profanamente ou na Maçonaria, se for exercida a tolerância, o respeito e a alteridade, e ainda afastado o Ego, certamente se farão os ajustes e se manterá a egrégora. Se cada Maçom tiver esta convicção consigo e praticá-la diariamente, certamente o interesse comum prevalecerá e a visão colectiva será sempre mais importante do que a visão individual.
Egrégora (interesse individual x interesse colectivo)
Quanto a Egrégora, vale ressaltar que a mesma somente ocorre com uma pluralidade de indivíduos e portanto o interesse colectivo deve prevalecer em detrimento do interesse individual. Para que a egrégora seja boa e se torne mais forte, todos os indivíduos presentes devem estar imbuídos do mesmo espírito e sentimento, tornando a energia mais limpa e mais forte.
Isto não significa dizer no entanto que deixaremos de lado as nossas convicções e pensamentos, mas devemos sempre reflectir acerca das mesmas e nos permitir ouvir pontos de vista diferentes dos nossos.
O interesse colectivo não deve prejudicar a colectividade, e o Maçom deve sempre lembrar que o interesse comum e os princípios da Maçonaria devem prevalecer, independente das suas convicções pessoais, fortalecendo a união e, portanto, a egrégora do grupo.
Desta forma o retorno da egrégora a cada um dos indivíduos em particular será maior e mais benéfica, possibilitando a evolução espiritual e o crescimento como Maçom, e por consequência permitindo que possamos mudar o mundo à nossa volta.
Mas como manter a egrégora, conciliando os interesses individuais em benefício do interesse colectivo, num grupo tão grande, como o encontrado na nossa Loja (mais de 60 Irmãos)?
Esta é uma situação árdua e de continua lapidação, para que possamos sempre pensar no que é melhor para o colectivo, possibilitando que sejamos realmente Irmãos dos nossos Irmãos, deixando de lado o Ego e os interesses pessoais, para que a nossa irmandade possa sempre melhorar e se fortalecer.
Exprimimos a nossa individualidade em cada manifestação de opinião sobre as mais diversas coisas, no entanto a prática e o exercício perpétuo da tolerância é o que nos permite conviver ou viver em sociedade. Se todos formos intolerantes, inevitavelmente serão formados grupos com a mesma opinião sobre determinado assunto, e estes grupos não formarão interacção, se digladiando, tentando impor o seu ponto de vista ao outro grupo.
Competências básicas do espírito de colectividade
Para estimular o espírito de colectividade, é imprescindível conhecer e acima de tudo praticar os preceitos e conhecimentos ensinados e defendidos pela Maçonaria.
A tolerância é uma das ferramentas imprescindíveis para que se institua o espírito de colectividade. O verdadeiro amor fraternal também é muito importante para que o espírito colectivo impere no seio maçónico.
Afastar o ego, é outro exercício difícil e continuo, pois o ego é manifestação individual que tenta se sobrepor ao espírito colectivo, ao espírito de grupo.
A prática da alteridade, entendendo que as pessoas são diferentes, mas que esta diferença é importante para o nosso próprio crescimento, aprendendo a ouvir de forma atenta os nossos Irmãos, e mesmo não concordando as vezes com os seus pontos de vista, aceitar o seu pensamento sem julgamentos.
Tolerância é uma virtude intimamente ligada ao conceito de liberdade. Como exigir e lutar por liberdade sem ter tolerância? Quando alguém impõe uma forma de pensamento, corremos o risco de restringir a liberdade de outrem de produzir o seu pensamento pessoal sobre algo.
Acredito, que mesmo de uma ideia errada sobre determinada coisa ou situação, pode ser extraído algo de bom, no mínimo servindo para lapidar e solidificar o conceito que mais se aproxima do correcto, portanto é primordial que o individuo, notoriamente o Maçom, se permita ouvir.
O Intolerante imagina ser proprietário do único critério moral e da verdade sobre os mais variados aspectos. A tolerância dos Maçons deriva dos aspectos íntimos da dignidade da pessoa humana, respeitando e admitindo ideias contrárias sobre os mais variados assuntos e circunstâncias.
Estimulando o espírito de colectividade
Durante o início da elaboração do presente trabalho, verifiquei que uns dos questionamentos realizados permitia que fosse sugerido alguma ou algumas formas de estimular o espírito de colectividade nas suas competências básicas.
A reflexão primeira e superficial, levou a responder negativamente, pois o que um Maçom há pouco inserido na ordem e com menos idade do que a grande maioria dos Irmãos poderia sugerir? Para alguns isso poderia soar até como uma afronta.
No entanto, num intervalo entre as reflexões recebi um vídeo que contava a história de uma enfermeira que, no período da segunda guerra mundial salvou muitas crianças da morte (estima-se mais de 2.500), escondendo-as em caixões, sacos, para retirá-las do “Gueto de Varsóvia”. O seu nome era Irena Sendler (conhecida como O Anjo do Gueto de Varsóvia), ela foi presa, torturada e quase morta. Muitos anos depois, quando perguntada como conseguiu agir tão corajosamente, ela respondeu: “A minha infância é a razão por eu ter salvo estas crianças. Meu pai sempre me disse que um homem se afogando tem que ser salvo, mesmo que você não saiba nadar.”
Desta forma, conclui que não posso me furtar de pelo menos reflectir e trazer algumas sugestões para que o espírito de colectividade e a boa egrégora, possam imperar, ao menos na nossa Loja, afim de que possamos atingir os objectivos e praticar os conceitos da real Maçonaria.
O primeiro aspecto que entendo relevante a ressaltar, diz respeito a elaboração de trabalhos. Explico. Após a entrada na Maçonaria, sou constantemente instigado a reflectir acerca dos mais variados princípios maçónicos. No entanto verifico que sempre que recebo a incumbência de entregar e apresentar um trabalho, acabo me aprofundando mais nos ensinamentos.
Isto faz com que eu acabe por ficar mais atento em relação as minhas próprias atitudes, tanto na Maçonaria, quando na minha vida profana, forçando a lapidação das minhas imperfeições, exercitando sobretudo a tolerância.
Uma ideia seria a elaboração de novos trabalhos em grupo, para que se debatam tópicos de interesse da Maçonaria, e de melhora como ser humano.
Outro aspecto importante é estimular o convívio entre os Irmãos tanto em Loja, sempre com a participação do maior número possível de Irmãos, quanto nos ágapes que ocorrem após as sessões, quanto nas festivas, quanto em eventos promovidos pela Loja.
O convívio continuo com os Irmãos permite que possamos visualiza-los de outra forma. As vezes um rosto sem sorriso (fechado), não significa necessariamente antipatia, mas sim alguma aflição do mundo profano que permeia a vida do Irmão naquele momento, e neste momento não podemos nos furtar em conversar com o mesmo, pois não raras vezes a conversa, ainda que seja sobre amenidades, pode fazê-lo se sentir melhor.
Ser livre não significa ter que impor o meu pensamento. Há que se ter muita paciência e sobretudo tolerância e alteridade.
4 – Apresente-nos o conceito antropológico de ALTERIDADE. Considerando que o antropólogo brasileiro Gilberto Velho se posiciona dizendo que entre as pessoas a “diferença é, simultaneamente, a base da vida social e fonte permanente de tensão e conflito”, tente analisar este posicionamento à luz do conceito sociológico de ALTERIDADE e a sua importância na formação e manutenção da EGRÉGORA do grupo
Antropologicamente, temos a seguinte formação do tema:
“Mas além de todos estes conceitos e definições, vejo na Antropologia a ciência do ESTRANHAMENTO e, consequentemente, da ALTERIDADE”.
“Estranhar” o Outro. Reconhecer em outro indivíduo (ou num conjunto deles) as suas peculiaridades e diferenças. Não somente, mas também as suas equivalências. É na prática do ESTRANHAMENTO que eu me identifico, que eu me vejo como ser único e que eu me afirmo como sendo, da mesma maneira, o Outro. E é neste contexto que nasce a ALTERIDADE. O momento de contacto com o Outro. Identificando-o, considerando-o, valorizando-o e, acima de tudo, respeitando-o. Tentar compreender, sem julgamentos ou sobreposições. Afinal, vivemos o paradoxo de sermos diferentemente iguais e igualmente diferentes.
Talvez seja esta essência que falte em muitas outras ciências e em muitos outros indivíduos e os seus conjuntos. Alguns definem a Antropologia como sendo a ciência que estuda o Homem. Eu defino a Antropologia como sendo a ciência da Alteridade.
Antropologia como ciência da alteridade
Antropologia é conhecida como a ciência da alteridade, porque tem como objectivo o estudo do Homem na sua plenitude e dos fenómenos que o envolvem. Com um objecto de estudo tão vasto e complexo, é imperativo poder estudar as diferenças entre várias culturas e etnias. Como a alteridade é o estudo das diferenças e o estudo do outro, ela assume um papel essencial na antropologia.
– COMPREENSÃO – Diferente da sociologia que é a área das ciências humanas que estuda o comportamento humano em função do meio e os processos que interligam os indivíduos em associações, grupos e instituições, a alteridade na perspectiva antropológica é ver o outro na perspectiva / olhar dele (como ele vê o mundo), fazendo um esforço pessoal para compreendê-lo, não é renunciar à sua cultura, é entender a dele. Vai além da Filosofia no seu carácter ético, moral, pois esta ciência funda-se em fazer algo para o outro basta.
– NECESSIDADE– Por isso há uma necessidade, pois a alteridade é se colocar no lugar do outro e mediante essa prática de modo humano atender a necessidade dele.
Logo a Antropologia como ciência da Alteridade actua de forma compreensiva e activa, entendendo a complexidade e individualidade de cada cultura.
A alteridade é entender a identidade cultural do outro no ver dele político, cultural, religioso e linguístico não impor e nem renunciar à sua própria cultura mas, compreender a dele.
Alteridade e humanidade
O colonizador não reconhece os valores do outro, mas impõe os seus próprios valores, recusando a prática da Alteridade.
Para entender o que trata o conceito de alteridade, é fundamental antes entender a palavra “alteridade”, pouco utilizada no quotidiano. Primeiramente, a origem do termo alteridade vem do latim, ou seja, a palavra “alteritas” que é o resultado da soma de dois componentes: “alterar”, que se traduz como “outro” e o “-ismo” sufixo que é usado para indicar “qualidade”. Segundo o conceito aplicado ao estudo da alteridade, trata-se de um dos princípios fundamentais na relação de interacção e dependência de um homem com o outro, na sua vertente social. Além disso, este conceito é utilizado num sentido filosófico a fim de nomear a descoberta da visão de mundo e interesses de um “outro”. Esse “outro” é em relação aos costumes, tradições e representações para o “eu”: por que é um “deles” e não “nós”. Assim, o “eu”, na sua forma individual, só tem razão de existir através do contacto com o “outro”, ou com o colectivo, com a sociedade que o rodeia. Logo, temos algo como “qualidade do outro”. Alteridade é uma condição de ser outro. O termo refere-se ao “outro” a partir da perspectiva do “eu”.
Alteridade e empatia
Precisamente por tudo significa, normalmente quando se fala da alteridade também vem à mente um outro conceito, o de empatia. No entanto, a empatia pressupõe uma comunicação afectiva que talvez a alteridade não exija. Embora o respeito ao outro valha para ambos os conceitos aqui debatidos. O conceito de alteridade em certos campos de estudo, como história ou antropologia, por exemplo, é útil para entender as posições de alguns partidos ou qualquer outro evento ou facto. O encontro entre dois países, por exemplo, ou duas pessoas que se envolvem e se colocam em diferentes formas de encarar a vida de frente. Se há uma escolha por alteridade, essa integração pode ser harmoniosa, porque as pessoas respeitam as crenças de cada uma. Este diálogo, além disso, enriquece muito. Mas se não há alteridade, os mais fortes dominam outras pessoas e impõe as suas crenças. Isto ocorreu, por exemplo, a partir da chegada dos europeus à América.
Alteridade e ética
Estruturalmente, a alteridade é uma tarefa ética. Pois implica na reflexão sobre a condição humana deste outro, partindo do princípio que o outro não é um inimigo desumanizado, mas que deve ser visto como um ser humano ao mesmo tempo igual e diferente. Assim, a experiência de se colocar no lugar do outro implica a conduta ética de perceber, a partir dos olhos deste outro, o mundo em que ele se insere.
Portanto, num contexto marcado pela “falta de ética”, ou seja, a falta de uma reflexão sobre as nossas acções, hábitos e costumes, a alteridade enquanto proposta torna-se difícil de se concretizar.
E para a formação da egrégora a alteridade é pilar fundamental, com todas as pessoas tendo entendimento das diferenças do outro e como este olha o mundo a seu modo, tornando o ambiente propício para a formação e vivência da egrégora.
(Continua)
Rodrigo Gomes, M∴ M∴ (CIM: 299.301),
Luiz Rossa, M∴ M∴ (CIM: 299.300) e
Édison Santana, M∴ M∴ (CIM: 281.596)
(ARBLS Palmeira da Paz nº 2121 – Oriente de Blumenau – GOB – GOB / Santa Catarina)
Questões colocadas pelo Irmão M∴ M∴ Walter Roque Teixeira
