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A motivação na senda maçónica

✍️ Desconhecido 📅 16/01/2025 👁️ 6 Leituras

motivação

Motivação – Segundo o dicionário online Oxford Languages, uma das definições para este verbete é o conjunto de processos que dão ao comportamento uma intensidade, uma direcção determinada e uma forma de desenvolvimento próprias da actividade individual. Pode ser tratada também como um conjunto de factores internos e externos que impulsionam uma pessoa a agir em direcção a um objectivo. Ela está directamente ligada ao desejo, à necessidade ou à vontade de alcançar algo que satisfaça uma necessidade física, emocional, psicológica ou espiritual.

Ela é fundamental para a realização de tarefas, superação de desafios e manutenção do foco em objectivos. Ela varia de pessoa para pessoa e pode ser influenciada por crenças, valores, ambiente e experiências de vida.

A motivação para uma determinada actividade resulta de um processo dinâmico e multifacetado, que envolve interacções entre factores internos e externos. Vamos explorar os principais processos que levam uma pessoa a se sentir motivada, além de entender se é possível motivar alguém ou se a motivação surge exclusivamente de dentro.

Processos que levam à motivação

A motivação geralmente começa com o reconhecimento de uma necessidade ou desejo, como fome, segurança, reconhecimento, aprendizagem ou autorrealização. Esse é o ponto de partida para o comportamento motivado. Quando uma pessoa identifica algo que deseja alcançar, um objectivo claro surge. Objectivos bem definidos, específicos e desafiadores (mas realistas) são mais motivadores. Assim, a motivação depende da relevância que a pessoa atribui à actividade ou ao objectivo. Quanto maior o valor percebido, maior a probabilidade de estar motivada.

A crença de que se é capaz de realizar a actividade com sucesso aumenta a motivação. Esse processo é influenciado por experiências anteriores, encorajamento externo e até por modelos inspiradores. A expectativa de receber recompensas (materiais, sociais ou emocionais) e o reforço de acções passadas bem-sucedidas contribuem para manter o engajamento.

A Motivação é interna ou externa?

A Motivação Intrínseca surge de dentro da pessoa. Está associada ao desejo de realização pessoal, curiosidade, prazer e crescimento interno. Por exemplo, uma pessoa pode estar motivada a aprender piano porque acha a música fascinante e sente satisfação ao tocar. Por outro lado, a Motivação Extrínseca deriva de estímulos externos, como recompensas financeiras, elogios, status ou evitar punições. Por exemplo, um estudante pode estudar para ganhar uma bolsa de estudos ou evitar reprovação.

Embora alguém possa estimular ou inspirar motivação, o impulso definitivo sempre depende do alinhamento interno da pessoa. A motivação não pode ser imposta, mas pode ser cultivada. Quando factores externos convergem com os interesses, valores e necessidades internas, a motivação se fortalece.

A motivação para manter firmeza e constância na senda maçónica

Manter-se firme e constante na senda maçónica exige motivação traduzida em dedicação, entendimento profundo dos valores da Ordem e um comprometimento com o desenvolvimento pessoal e fraterno. Alguns factores são essenciais para que o Maçom permaneça motivado e fiel aos princípios da Maçonaria e aproveite plenamente a sua jornada. Eis os principais factores de motivação:

  • Clareza de propósito – um Maçom deve compreender por que ingressou na Ordem e qual é o significado dessa jornada na sua vida. Ter um propósito claro ajuda a manter o foco nos valores maçónicos e nas metas pessoais de aprimoramento.
  • Compromisso com os princípios maçónicos – a prática constante das virtudes como justiça, temperança, fortaleza e prudência é essencial. Esses valores devem guiar as suas acções dentro e fora da Loja. Além disso, o respeito aos Landmarks e às tradições maçónicas fortalece o senso de identidade e propósito na Ordem.
  • Busca contínua por conhecimento – a Maçonaria é uma escola de mistérios, e a busca pela verdade e pelo conhecimento deve ser incessante. Estudar a simbologia, os rituais, as instruções e as lições filosóficas mantém o espírito da aprendizagem vivo. Participar de palestras, seminários e trabalhos sobre os ensinamentos maçónicos enriquece o entendimento e ajuda a motivar, evitando o desinteresse.
  • Desenvolvimento do Templo Interior – o aprimoramento do carácter é um dos pilares da Maçonaria. Construir o Templo Interior exige reflexão, meditação e práticas que busquem o equilíbrio entre corpo, mente e espírito. Trabalhar constantemente no combate aos vícios e na prática das virtudes contribui para esse aperfeiçoamento.
  • Amor fraternal e companheirismo – cultivar relacionamentos saudáveis e respeitosos com os Irmãos fortalece o senso de pertencimento e a motivação para estar activo na Ordem. A prática do amor fraternal ajuda o Maçom a enxergar a Maçonaria não apenas como um estudo filosófico, mas como uma experiência humana significativa.
  • Participação activa na Loja – frequentar regularmente as reuniões fortalece a conexão com a egrégora e mantém a energia do trabalho maçónico. Contribuir para os trabalhos da Loja, assumir responsabilidades e ajudar na instrução de Aprendizes e Companheiros são formas de reforçar o vínculo com a Ordem.
  • Resiliência e persistência – desafios são inevitáveis, seja na vida profana ou na jornada maçónica. A resiliência permite que o Maçom enfrente dificuldades sem se desviar dos seus ideais. A constância é um elemento fundamental para não abandonar o trabalho mesmo quando o entusiasmo inicial diminui.
  • Reflexão sobre o dever – o Maçom deve sempre lembrar que a sua busca é uma jornada de aperfeiçoamento, não apenas para si mesmo, mas para contribuir com a sociedade. O dever para com a humanidade e a responsabilidade em melhorar o mundo ao seu redor são motivadores para perseverar.
  • Conexão com o Sagrado – o reconhecimento de um Ser Supremo, como o Grande Arquitecto do Universo, inspira o Maçom a buscar uma vida de significado, harmonia e propósito espiritual. Participar de rituais com reverência e meditar sobre os ensinamentos simbólicos fortalece a espiritualidade.
  • Humildade e abertura à aprendizagem – o Maçom deve reconhecer que a sua jornada nunca será completa; há sempre algo novo a aprender e melhorar. A humildade é a base para aceitar correcções e crescer a partir das instruções dos Irmãos e da própria reflexão.

Uma parcela considerável fica pelo caminho

Os factores motivacionais acima enumerados, quando bem integrados, sustentam a firmeza e a constância de um Maçom na Ordem. Porém, é facto que apenas uma parcela permanece firme e constante na senda maçónica. Ao longo dos anos, durante a caminhada, o abandono pode ser explicado por uma combinação de factores internos e externos que afectam a motivação, o compromisso e a capacidade de continuar engajado com a Ordem. Eis algumas razões que podem elucidar essa situação:

  • Perda de propósito inicial – Muitos maçons ingressam na Ordem com motivações pessoais, como curiosidade, busca de crescimento espiritual ou até interesses sociais. Com o tempo, se esses objectivos não forem continuamente renovados ou alinhados ao propósito maçónico, pode surgir desmotivação. A falta de compreensão profunda dos ensinamentos simbólicos e filosóficos pode levar a um sentimento de estagnação.
  • Desafios da vida profana – responsabilidades familiares, profissionais e sociais muitas vezes competem com o tempo e a energia dedicados à Maçonaria. Crises financeiras, mudanças de residência ou problemas de saúde podem dificultar a frequência às reuniões e o envolvimento activo na Loja.
  • Falta de engajamento ou reconhecimento – maçons que não encontram oportunidades de contribuir activamente na Loja podem sentir-se desconectados. A ausência de reconhecimento ou de uma cultura de acolhimento pode levar ao desinteresse. Isso é especialmente crítico para irmãos que têm habilidades ou talentos não aproveitados na Ordem.
  • Rotina e monotonia – a repetição constante dos rituais sem esforço para aprofundar o entendimento pode levar ao sentimento de que “nada muda” na Maçonaria. A falta de inovações ou actividades que estimulem a aprendizagem contínua pode afastar aqueles que buscam desafios intelectuais.
  • Conflitos interpessoais – diferenças de opinião, disputas internas ou a percepção de falta de harmonia na Loja podem minar o senso de fraternidade. Muitos maçons esperam encontrar na Ordem um refúgio de paz e união; quando confrontados com desentendimentos ou comportamentos contrários aos ideais maçónicos, podem se desiludir.
  • Falta de renovação espiritual – a Maçonaria exige que o Maçom esteja constantemente renovando a sua conexão espiritual e reflexiva. A acomodação na rotina ou a negligência do trabalho interior pode enfraquecer o vínculo com os ensinamentos da Ordem.
  • Expectativas irrealistas – alguns irmãos ingressam na Ordem com expectativas equivocadas, esperando recompensas tangíveis ou soluções mágicas para as suas vidas. Quando percebem que o caminho maçónico é árduo e exige dedicação contínua, podem desistir.
  • Influências externas e estigmas sociais – em alguns contextos, a Maçonaria enfrenta preconceitos ou desinformação, gerando pressões sociais ou familiares sobre o Maçom, levando ao afastamento. Mudanças nas prioridades culturais e sociais, como a busca por soluções rápidas ou distracções tecnológicas, também podem impactar o compromisso.
  • Falta de liderança inspiradora – a liderança na Loja desempenha um papel crucial na motivação dos irmãos. Lojas que carecem de mestres e líderes inspiradores ou que negligenciam os valores maçónicos podem perder a capacidade de manter os seus membros engajados.
  • Esquecimento da fraternidade – a fraternidade é um dos pilares da Maçonaria. Quando essa conexão se perde, seja por falta de interacção ou pela ausência de um verdadeiro espírito de apoio mútuo, os laços se enfraquecem. Sem o senso de pertencimento, muitos deixam de sentir a necessidade de continuar.

Reflexão: Um caminho para poucos

A Maçonaria é, por natureza, uma senda desafiadora que exige esforço contínuo, reflexão profunda e compromisso. Nem todos estão dispostos e motivados a trilhar esse caminho por toda a vida. O processo de evolução pessoal muitas vezes é solitário e exige superar barreiras internas e externas. Apenas aqueles que conseguem manter a chama acesa – motivado, renovando o propósito, cultivando a humildade e enfrentando as dificuldades com resiliência – permanecem até o final.

Aqueles que perseveram fazem isso porque vêem na Maçonaria não apenas uma instituição, mas uma ferramenta poderosa para a construção do seu Templo Interior e a transformação do mundo ao seu redor.

Que a luz do Grande Arquitecto do Universo continue a iluminar o seu caminho!

Giovanni Angius, MI, 33º REAA -Membro da Augusta e Respeitável Loja Simbólica Orvalho do Hermon nº21, Jurisdicionada à Grande Loja Maçónica do Estado do Espírito Santo – Brasil

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