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A Maçonaria e o seu ecossistema

✍️ Desconhecido 📅 29/04/2023 👁️ 7 Leituras

pedra de fundação

Introdução

Habitualmente, quando referimos à Maçonaria, a primeira ideia que vem à mente, logo após a figura do Maçom propriamente dito, é a de uma Loja; e tudo então orbita em torno destes dois personagens como se eles se confundissem com a própria Ordem. A meu juízo, ledo engano. Destarte, o objectivo principal deste texto é chamar a atenção, em apresentação preliminar, que a realidade é bem mais ampla, pois há efectivamente um universo maçónico com entidades que, embora dedicadas, possuem vários elementos comuns, o que então remete ao objectivo complementar: também chamar a atenção para o facto de que elas não só podem como, a meu juízo deveriam, entre si firmar parcerias e actuar de modo sistémico, orgânico, e então colher os benefícios que este enfoque proporciona.

E já me antecipo aos críticos: de modo algum ignoro e tampouco pretendo “passar por cima” da soberania, autonomia e liberdade tão caras a uns e outros, embora não raro me pareça que muitos querem a liberdade, também a autonomia e a soberania, mas não sabem exactamente para o quê; por ignorarem a História e a também a missão institucional da Ordem não têm ideias, iniciativas, projectos, objectivos, etc. De outro lado, para as lideranças que já possuem a compreensão histórica e de conjunto, a etapa natural e subsequente corresponde à adopção de iniciativas, dentre as quais o agir sistemicamente, com o intuito de alavancar os ganhos e benefícios proporcionados desde este enfoque.

As considerações a seguir adoptam tão somente a perspectiva gerêncial [1], sob a qual as iniciativas são submetidas à análise crítica e objectiva, lastreadas em dados e informações, enfrentam o crivo dos custos vs. benefícios, exploram as expertises individuais e mantêm-se distantes da defesa intransigente da “reserva de mercado” institucional quando esta não atende aos melhores critérios de eficácia, eficiência e efectividade.

A tese ora defendida é a de que as entregas da Maçonaria à sociedade, a começar por um homem melhor, poderiam ser maiores e mais significativas se a Ordem fosse gerenciada com os olhos para além das Lojas, superando a miopia do imediato e com o foco voltado para o entorno, a começar pelo seu próprio ecossistema. Juntos somos mais fortes, maiores e melhores; simples assim.

Finalmente, considerando que algumas partes deste texto já foram desenvolvidas em artigos específicos, para evitar a redundância os leitores são remetidos à leitura daqueles.

O que vem a ser um sistema?

O pensamento sistémico, em que pese já há tempos (mais precisamente, desde o início do séc. XX) ter sido amadurecido e revelado o seu potencial (EMERY, 1969), continua em permanente desenvolvimento pois tem sido legatário e beneficiado pelas novas tecnologias, notadamente as de informação e comunicação digitalizadas. A sua aplicação é constatada nas mais diversas áreas: meio ambiente, ciências da vida e da saúde, economia e gestão, entre tantas. Por ora, o que interessa é a sua aplicação no campo da gestão, razão pela qual é neste campo que foram buscados os elementos básicos acerca da definição, características e etc. pertinentes à abordagem sistémica. Preliminarmente, cabe esclarecer que a maioria dos conceitos e constructos podem ser apreciados em vários níveis: admitem a aplicação prática tanto nas situações de ordem eminentemente pessoais, como nas que dizem respeito às questões de economia e geopolítica internacionais, com trânsito também pelo nível intermediário representado pelas organizações (públicas ou privadas) com actuação local, regional ou nacional. O que, então, caracteriza um sistema? Alguns conceitos-chaves extraídos de Chiavenato (1993):

O aspecto mais importante do conceito de sistema é a ideia de um conjunto de elementos interligados para formar um todo. Este todo apresenta propriedades e características próprias que não são encontradas em nenhum dos elementos isolados. (op. cit., p. 481)

[…] interacção ou interdependência […] (op. cit., p. 482)

É possível passar de um sistema para outro que o abrange, como também passar para uma versão menor e nele contida (id., Ibid.)

[…] duas características básicas […] propósito ou objectivo [e] todo sistema tem uma natureza orgânica, pela qual uma acção que produza mudança numa das unidades do sistema com muito probabilidade deverá produzir mudanças em todas as outras unidades deste. (id., Ibid.)

A definição de um sistema depende do interesse da pessoa que pretende analisá-lo. (id., Ibid.)

Das informações acima é possível extrair que:

  • um sistema não é (necessariamente) um objecto ou uma organização específica, sendo antes, uma ideia, uma postura frente a determinada realidade, problema ou objectivo. Pensar sistemicamente corresponde a pensar no conjunto, no todo: no objectivo geral e na medida da contribuição das partes conforme as suas especialidades para que ele (o objectivo) seja atingido. Talvez o melhor exemplo para conceber de modo muito claro o que é um sistema seja a reflexão sobre o corpo humano: cada subsistema (respiratório, circulatório, digestivo, reprodutor, etc.) possui a sua função precípua e especializada, mas só quando em conjunto com os demais proporcionam a vida; ademais, qualquer falha num deles pode comprometer em diferentes graus os demais e até mesmo colocar em risco a própria vida. A este efeito que só pode ser atingido pela acção compartilhada e em cooperação das partes envolvidas denomina-se sinergia; em outros termos: o resultado de um sistema é maior do que a soma dos resultados proporcionados pelas partes. Maturana e Varela (2001) trazem incontáveis exemplos da abordagem holística (outra denominação usualmente atribuída aos sistemas); críticos da visão fragmentária também ressaltam (em tom de alerta) os riscos de não considerar que tudo está relacionado a e com tudo. O chamado Efeito Borboleta [2], metáfora muito citada pelos estudiosos da Teoria do Caos, também se aplica à abordagem sistémica;
  • Exemplo: cada Irmão é parte de um sistema denominado Loja. As possibilidades e o alcance das realizações de cada Loja (docência, acção social, gestão administrativa, manutenção do Quadro, etc.) dependerão, é claro, da contribuição de cada um, mas certamente serão maiores do que a simples soma dos esforços individuais. Analogamente, cada Loja é, simultaneamente, parte de um sistema maior: à Potência à qual está jurisdicionada e, assim, sucessivamente. Nestes termos, a capacidade de realização da CMSB [3] (ora vista como um sistema) em grande medida dependerá do engajamento das Grandes Lojas (elementos desse sistema) nos empreendimentos capitaneados pela primeira.

Esquematicamente um sistema pode ser desdobrado nos seus componentes agregados, a exemplo:

  • das entradas, também denominadas insumos (inputs);
  • do processamento ou transformação (throughput); e,
  • das saídas, também denominadas produtos finais ou resultados (outputs).

Colocado em funcionamento, o sistema gerará um conjunto de informações, em geral na forma de fluxo, que possibilitará o permanente aprimoramento da sua gestão mediante sucessivos feedbacks.

À guisa de exemplo, as taxas recolhidas mensalmente, bem como o Quadro de Irmãos podem ser considerados como “entradas” do Sistema Loja que tem por objectivo transmitir a doutrina maçónica aos recém Iniciados. Tais inputs são, então, colocados a processar o que for necessário para atingir o objectivo: aquisição de livros, preparação de instruções para docência, orientações, convite a palestrantes, visitação de Lojas, etc. É natural que cada Irmão Mestre dedique-se a um tema (história, simbolismo, ritualística etc.), pois sendo tantos e complexos, a ninguém é dada proficiência em todos os conteúdos. Assim, e aos poucos, cada Irmão apreende e constitui o seu próprio conhecimento que, por sua vez, é maior do que o possuído e transmitido individualmente pelos docentes. No meio do processo são detectadas algumas incompreensões que obrigam à revisão e esclarecimentos complementares – trata-se do feedback indispensável às correcções que possibilitarão atingir os objectivos finais e no prazo estabelecido. Finalmente, como pré-requisito para o aumento de salário os discentes (Aprendizes no seu respectivo Grau) submetidos à docência são (idealmente deveriam ser) [4] avaliados por Mestres externos à Loja. Os que forem considerados aptos correspondem ao resultado final, as “saídas” do Sistema do Loja: o homem aperfeiçoado que, por sua vez, corresponde a uma “entrada” no Sistema Sociedade. Convido o leitor a reflectir sobre outros subsistemas insertos no Sistema Loja.

Há muito mais a ser esclarecido e desenvolvido sobre os sistemas, pois é tema que admite trato tão amplo e complexo conforme as necessidades e conveniências do momento; assim, para esta abordagem preliminar as noções acima parecem ser suficientes. O leitor mais interessado poderá recorrer, entre tantos, a Stoner e Freeman (1985), bem como a Montana e Charnov (1998).

O ecossistema da Maçonaria

O quê, então, pode ser entendido como o ecossistema maçónico? Por analogia e extensão, o conjunto de instituições que, mesmo distintas, ao valorizar os elementos comuns que as aproximam, poderiam actuar de modo sistémico, alavancando esforços com vistas às sinergias decorrentes da acção articulada. Acredita-se, amparado na vasta literatura, teórica e prática, que a sociedade contabilizaria ganhos adicionais tanto do ponto de vista quantitativo quanto qualitativo. E quais seriam estas instituições?

Em primeiro lugar, conforme já mencionado, tanto os Irmãos quanto as Lojas, conforme a perspectiva, podem ser considerados para determinados efeitos e propósitos como efectivos sistemas. Em Pinheiro (2020) há vários exemplos acerca de como as Lojas podem trabalhar organicamente, compartilhando e optimizando activos, competências e agendas que, em razão das sinergias proporcionadas, ampliam, sobremodo, os outputs.

Até o momento a expressão Lojas subentende aquelas que operam nos Graus Simbólicos, razão pela qual, aparentemente e no que tange ao tema ora em apreço, pouco difeririam entre si. Todavia, mesmo no âmbito do simbolismo há espécies diferenciadas do género, como é o caso das Lojas de Estudos e Pesquisas (LEP), cuja denominação, auto-explicativa, dispensa esclarecimentos. A propósito, antes mesmo de adentrar neste tema (as LEP) mais especificamente, surpreende ao leitor mais afecto à investigação, o elevado grau de individualismo que grassa na literatura maçónica brasileira em geral, e mesmo na dedicada à pesquisa, em particular. É raro, raríssimo até, encontrar conteúdos (na forma de publicações) que reflictam empreendimentos colectivos no sentido à geração do conhecimento e, muito menos, a continuidade evolutiva deste conhecimento, que deveria crescer sobre si no curso de linhas estruturadas de pesquisa. Basta passar os olhos em alguns dos principais veículos de divulgação (No Esquadro, A Trolha, COMOTAL e Universum [5], entre tantos) para constatar o que à primeira vista não deixa de ser um paradoxo: o peso da cultura do individualismo. Chega mesmo a suscitar curiosidade a razão da constituição de uma Loja (identificada como de Estudos e Pesquisas) se a produção (divulgada) do conteúdo é eminentemente individual. A profusão de lives no curso da actual pandemia só veio a confirmar o dito: talvez eu seja a excepção, mas não tive a oportunidade de assistir sequer uma audição na qual o apresentador tenha se colocado como porta-voz de um grupo que traz à público as suas linhas de estudo e os achados das suas pesquisas. Já há quase dois anos em ambiente pandémico, vários Irmãos hoje já são reconhecidos como estudiosos e talentosos apresentadores, e por isso têm as suas agendas disputadas, mas quem poderia indicar uma Loja de Estudos e Pesquisas “referência” – efectiva luz para os novos pesquisadores? Esta realidade não só empobrece como limita a expansão do conhecimento e da cultura maçónica no Brasil, bem como deixa à vista, para aqueles que se dispuserem a promover alterações neste quadro, que o desafio deve iniciar pelas bases [6] – trata-se de um processo de mudança cultural.

Em Pinheiro (2021), a partir da experiência da LEP Universum, foram enumeradas as características, as atribuições e as possibilidades do estabelecimento não só de parcerias com as demais LEP – para a actuação em rede -, mas também sobre como a rede pode(rá) colaborar com as Lojas Azuis, sendo um e outro modos de actuar à livre escolha e iniciativa da gestão (das Luzes da Loja) – subprodutos do pensamento sistémico. E para quem pensa que todas as Lojas simbólicas são iguais, há ainda um conjunto parcialmente diferenciado, a exemplo das Lojas que congregam os Bodes do Asfalto, os maçons motociclistas, Irmãos sempre dispostos a colaborar a partir da sua condição especial de mobilidade e acesso, recurso de extrema importância frente a determinadas necessidades e para a execução de alguns projectos. Ainda sobre o tema, mas sem pretender esgotar o assunto das Lojas Azuis, há as Lojas Académicas (ou Universitárias), inexplicavelmente tão pouco desenvolvidas no Brasil, mas junto às quais as LEP poderiam não só aprimorar e robustecer os seus estudos e pesquisas como, conjuntamente, operarem no sentido à difusão do conhecimento, pelo menos na esfera da sua jurisdição. Para tal, mesmo no âmbito das LEP, onde era de se esperar que houvesse mais abertura e flexibilidade em ordem ao conhecimento, há ainda que se superar a resistência contra aqueles que, embora estudiosos de Maçonaria, não tenham sido iniciados na Ordem. Além das contribuições originais e fundamentadas, bem como insights trazidos por historiadores como Frances E. Yates e Paolo Rossi, a academia tem trazido à luz excelentes trabalhos, desde como requisito para a conclusão de cursos em nível de graduação à teses de doutoramento, a exemplo de Guedes (2010), Drey (2013), Planas (2018), entre tantos; todavia, rarissimamente citados pelos maçons.

Ademais, a CMSB, já citada como exemplo, na perspectiva ora em análise pode também ser considerada como um Sistema cujas partes correspondem às Grandes Lojas (efectivos inputs), assim como o é a COMAB [7]. Os produtos finais do Sistema CMSB incluem a oferta de biblioteca, da UniCMSB, de um acervo de palestras, orientações, etc.; objectivos que em razão da logística ou custo talvez estivessem (e mesmo estejam) fora do alcance das Grandes Lojas em actuação isolada. Conquanto à estrutura do GOB [8], esta é diferenciada e em nada se assemelha às anteriores pois trata-se de uma federação cuja administração central exerce sobre as unidades regionais o poder político que estatutariamente lhe foi conferido.

Desconheço a realidade nas demais unidades federadas, mas no estado do Rio Grande do Sul há a Maçonaria Unida do Rio Grande, instituto que reúne as 3 (três) Potências regionais em acções, por exemplo, de interesse social, como foram as iniciativas motivadas pela actual pandemia CoVid-19.

Já os Mestres Maçons oriundos das Potências regulares constituem inputs do Sistema dos Altos Graus, também referidos como filosóficos, e em alguns textos como superiores. Livre de interferências nas respectivas jurisdições e áreas de competência, nada impede que mediante acordos os corpos simbólicos e filosóficos desenvolvam acções em parceria, sempre, por exemplo, que estiver em foco o interesse e o zelo pela marca institucional – Maçonaria lato sensu. Ademais, na maioria as vezes os integrantes dos corpos filosóficos participam, também, das Lojas simbólicas, o que corresponde a factor adicional e facilitador de projectos cooperativos.

Ademais, todas as Potências mantêm vínculo de atendimento e orientação às entidades (associações ou fundações) para maçónicas dedicadas ao público juvenil masculino (DeMolays), feminino (Arco-Íris, Filhas de Jó) e à actuação das cunhadas (Estrelas do Oriente). Sem prejuízo das actividades precípuas e exclusivas, são inúmeras as iniciativas e empreendimentos que convidam à actuação dessas entidades em conjunto com as Lojas Azuis.

Há ainda as Fundações Maçónicas dedicadas à educação, à saúde e também à assistência social, como é o caso da Fundação São João [9], “o braço beneficente da Maçonaria Gaúcha”, sediada em Porto Alegre, RS.

No meio desta constelação existem ainda as Academias (maçónicas) de Letras, Ciências, Artes e Ofícios, organizações à espera não só de maiores estudos, como de exploração e aproveitamento, como revelam Ismail (2014) [10], Pinheiro (2021a) e também Oliveira (2021). Uma consulta de passim nos estatutos de algumas das Academias, como visto em Pinheiro (2021a), permite verificar a enorme amplitude das atribuições conferidas a essas organizações, havendo mesmo superposições com as dos demais sujeitos do ecossistema. Assim, se por hipótese, todas as instituições realizassem na íntegra o disposto nos respectivos estatutos, certamente haveria larga e múltipla redundância que, na perspectiva sistémica, seria considerada ineficiência em que pese a eventual eficácia das partes. Descortina-se pois, um amplo horizonte de oportunidades a ser explorado em benefício da Ordem e da sociedade. É sabido, por exemplo, o enorme desconhecimento, quando não o entendimento equivocado, da sociedade em relação ao que é e ao que se dedica a Maçonaria. Dado o carácter habitualmente discreto das Lojas Azuis, as Academias podem desempenhar (assumir?) importante papel no esclarecimento, enriquecimento e mesmo encantamento (quiçá prospectando futuros quadros) a partir de actividades culturais, recreativas e lúdicas para públicos de todas as idades e interesses. A promoção de oficinas de arte (p. ex., desenho), e também de ofícios (alvenaria, pintura, reparos, etc.) extensivas a toda a comunidade é uma possibilidade a ser explorada. O mote “Maçonaria” pode ser o vórtice a partir do qual se estruturem programas e projectos culturais (palestras, exposições, saraus, representações teatrais [11], etc.) não só para o esclarecimento mas sobretudo para levar à sociedade benefícios tangíveis. De outro lado, as Academias não podem ser somente espaços de e para maçons, e muito menos virem a ser notabilizadas como confrarias predominantemente destinadas à concessão de louvores.

A obtenção, por parte da Academia, juridicamente uma pessoa jurídica da espécie Associação, do reconhecimento como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público [12] abre a oportunidade para pleitear (via projectos) o recebimento de recursos públicos directos ou indirectamente (via incentivos) para o patrocínio de actividades educacionais e culturais.

Finalmente, há entidades cujas actividades parcialmente convergem com as desenvolvidas pela Maçonaria, como é o caso dos clubes Rotary, Lyons e Shriners, onde neste último todos os membros são maçons. Uma rápida consulta aos respectivos sites deixará à evidência a semelhança das respectivas missões institucionais com as da Maçonaria, o que abre um amplo leque de oportunidades às lideranças para alavancar as iniciativas a partir do compartilhamento de esforços.

Considerações finais

Reitero que no caso em apreço o pensamento sistémico é antes uma possibilidade do que uma obrigatoriedade, passa longe de algo próximo à imposição; todavia, as vantagens são inúmeras e sedutoras:

  • o compartilhamento sem prejuízo ao foco no aproveitamento da especialização institucional tende a optimizar os inputs e a reduzir as perdas gerais (redundância, ineficiência, etc.) do sistema;
  • o abandono do excesso da visão atomista possibilita enxergar (e entender) a perspectiva da “floresta” ao invés de apenas a da “árvore”;
  • sem prejuízo da apreciação individual, a valorização da perspectiva do conjunto salienta a existência de recursos (só proporcionados pela sinergia) até então não considerados como disponíveis para fazer frente às necessidades;
  • a perspectiva sistémica proporciona maior responsabilização e comprometimento individual decorrente da consciência e da relevância da contribuição das partes para com o todo; entre outras.

Por fim, mas sem pretender exaurir o tema, há ainda subprodutos intangíveis, de grande relevância e que emergem quando posto em prática o pensamento sistémico: o revigoramento da humildade decorrente da maior percepção das insuficiências e impotências individuais frente às muitas situações, do que se segue a acurada empatia e senso de alteridade até mesmo com os estratos mais distantes e indirectos de relacionamento. O quadro de referências teóricas acerca do pensamento sistémico já é maduro e reúne incontáveis cases de sucesso. Pensar e agir sistemicamente depende da iniciativa das lideranças que devem, primeiro e antes de tudo, abandonar as vaidades, as reservas de mercado e romper paradigmas; e assim, de imediato, pelo exemplo é possível que motivem os seus liderados e deflagrem um movimento autopropulsionado de iniciativas criativas. Não há dúvidas de que a temperança é necessária, mas os benefícios são tão visíveis que uma vez posta a engrenagem em movimento, pelo efeito demonstração será difícil retroagir à situação anterior, não só em razão dos resultados evidenciados, mas também pela motivação que contagia a todos os que directa ou indirectamente são envolvidos no processo.

Ivan A. Pinheiro, M:. M:. – ARLS Mário Juarez de Oliveira nº 4547, GOB-RS; da LEP Universum nº147, GLMERGS; da Loja de MESA Victor Meirelles; e, Membro Correspondente da Academia Maçónica de Letras, Ciências, Artes e Ofícios do GOB-BA

Notas

[1] Grosso modo, conjunto de práticas dedicadas ao planeamento, à organização, à direcção e ao controle das actividades que contribuem para a consecução dos objectivos e metas pessoais ou organizacionais.

[2] Que numa das suas versões diz que “O simples bater de asas de uma borboleta no Brasil pode ocasionar um tornado no Texas”.

[3] Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil.

[4] Sobre este aspecto deveriam ser resgatados alguns dos velhos usos e costumes da Maçonaria Operativa, cada vez mais lassa nas exigências. O simbolismo, há evidências, foi levado ao paroxismo na sua acepção mais depreciada. Em determinados aspectos o simbolismo guarda larga distância do significado histórico original, hoje bem afastado das exigências e compromissos que conferiam dignidade e honra aos Graus.

[5] Há 25 anos a revista de divulgação local e regional da LEP Universum, 147, jurisdicionada à GLMERGS.

[6] Por exemplo: as Potências, Academias ou LEP poderiam estimular, via editais, concursos com a exigência de pelo menos dois autores/trabalho ou mesmo, conforme o caso, de todo o Quadro da Loja. As Lojas poderiam apresentar os seus cases de docência, a sua experiência sindicante, projectos sociais com os quais estão envolvidos, etc.

[7] Confederação Maçónica do Brasil.

[8] Grande Oriente do Brasil.

[9] Disponível em: https://fundacaosaojoao.com.br/. Acesso em: 01.08.21.

[10] Disponível em: https://www.noesquadro.com.br/noticias/posse-na-academia-maconica-de-letras-df/. Acesso em: 03.08.21.

[11] Tome-se, por exemplo, a peça teatral “Londres, 24 de Junho de 1717”, de Celso Abrahão, também autor de “Sementes da Razão” (romance histórico), São Paulo, LandMark, 2012.

[12] Dado o sistema federado, o reconhecimento deve obedecer à legislação de cada nível de governo: municipal, estadual e federal. Em geral as leis são semelhantes porém não iguais.

Bibliografia citada

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  • MATURANA, Humberto R.; VARELA, Francisco J. A Árvore do Conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana. São Paulo: Palas Athena, 2001.
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  • PINHEIRO, Ivan A. A associação que abriga a Loja Maçónica: uma figura jurídica esquecida e os seus desdobramentos. Revista Ciência & Educação Maçónica, v. 01, n. 03, 2020, p. 11-28. ISSN: 2596-1187. Disponível no formato pdf através das redes sociais e também por e-mail (pinheiro@ufrgs.br).
  • PINHEIRO, Ivan A. Loja de Estudos e Pesquisas (LEP) Universum: 25 anos – passado, presente e futuro. Edições “Universum”, Ed. Especial Jubileu de Prata, Maio 2021, p. 97-112. Porto Alegre, RS: GLMERGS, Loja de Estudos e Pesquisas Universum n0
  • PINHEIRO, Ivan A. Qual o Papel de uma Academia Maçónica de Letras? In: Academia Maçónica de Letras, Ciências, Artes e Ofícios do GOB-BA. Salvador: Religare, 2021a, p. 119-127.
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  • STONER, James A. F.; FREEMAN, R. E. Administração. Rio de Janeiro: Prentice-Hall do Brasil, 1985.

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