A Maçonaria e o ramo de acácia
Os Maçons espalhados pela superfície da terra reverenciam a Acácia como um dos símbolos da nossa Sublime Instituição. De facto, quando localizado foi o corpo de HIRAM o local ficou marcada, “para posterior procura, com ramos de Acácia.
Da mesma forma, ao partir um Maçom para o Oriente Eterno nós o cobrimos, em cerimónia branca, com ramos de Acácia. Simboliza este acto de amor e saudade a certeza de que ele não desaparece do nosso convívio mas que continua sempre presente nos nossos corações e integrado cada vez mais na grande e fraternal família como o é HIRAM através dos séculos.
O simbolismo da Acácia é indestrutível. Em que pese opiniões em contrário poder-se-á justificar a criação de uma nova tese maçónica com o aproveitamento dessa tão espalhada planta em constantes citações tão nossa conhecida…
Por analogia, os Maçons espalham-se por todo o Universo. A Acácia, também representada que é por sub-famílias, encontra-se em todas as latitudes e longitudes da terra. Os Maçons existem, igualmente representados em todas as raças humanos no Orbe.
Os futuros Mestres sofrem determinados períodos de aprendizagem, desbastando a pedra bruta até se tornarem perfeitos cultores da Arte Real depois de lançados nos mistérios da Ordem.
A Acácia, sofre e espera, no estágio fisiológico denominado “Estratificação”, que o meio ambiente actuando sobre as sementes, umas volumosas outras pequeninas e bastante frágeis, pela acção lenta do vento, da água e do fogo, tenham os seus septos transversais corroídos, e se libertem para realizar a propagação de espécies e variedades nos locais onde os fenómenos climáticos as jogarem.
A extraordinária família das Leguminosas, com mais de doze mil representantes. e de onde provêm a nossa Acácia, apresenta plantas de tipos arbustivos herbáceos ou árvores; com folhas em geral compostas e estipuladas. Divide-se em três grandes sub-famílias:
- As Papilionáceas,
- as Cesalpíneas e
- as Mimosáceas.
Maçonicamente interpretando o entrosamento da Acácia, planta, com a Maçonaria Universal, peidemos afirmar, salvo douta contestação, que a variedade venerada por nós maçons pertence às Mimosáceas que podem ser plantadas arbustivas ou árvores, raramente herbáceas, com folhas paripenadas e o fruto é representado por um “Lomento”, em forma de artículos, formando uma cadeia de aquénios, arredondados e peque nos a semelhança de uma suposta cadeia de União…
A variedade que interessa sobremodo a nós é denominada, no Oriente Médio como “Acácia Arábica”, conhecida igualmente pelo nome de Acácia Verdadeira, ou ainda Acácia do Egipto ou também como Acácia do Nilo. Esta variedade e sua congénere “Acácia Vera”, produz a conhecida Goma Arábica, de suas exsudações.
O habitat dessa leguminosa não é muito difundido., como as demais representantes da família e realmente se restringe mais às regiões do Mediterrâneo da Ásia Central e do mar índico. Justificado portanto, fica, que os Ramos de Acácia deixados no deserto para assinalar o local verdadeiro onde encontrado foi o corpo de HIRAM, pertenciam à variedade citada; diremos mais, ainda, que na região onde se localizava o Templo de Salomão a vegetação mais abundante se representava por essências do deserto e florestas de Acácia Arábica.
Assim, como a Maçonaria se propaga inexoravelmente pelo pensamento, pela fraternidade e pela união, também, as leguminosas se propagam através do auxilio das correntes aéreas ou cólicas, meio pela qual as sementes, em razão de suas diminutas dimensões e peso percorrem longas distâncias através dos Continentes e Mares caindo algumas em terra firme, outras nas grandes massas de água que as levam às bordas de praias e ilhas, onde encontrando um ambiente propício activam sua germinação, produzindo assim a continuidade da espécie. No entretanto, muitas vezes se modificam na morfologia pela acção do meio adverso em que foram lançadas.
As leguminosas apresentam um sem número de formas em suas inflorescências e frutos, cujas sementes apresentam características exóticas, algumas lembrando asas, outras espinhentas e encaracoladas, outras plumosas e levíssimas o que representa muita facilidade para seu transporte pelas correntes aéreas Outros meios mecânicos são responsáveis pela difusão das espécies por tão vastas , regiões do Globo. Diremos que os próprios animais selvagens as conduzem em suas aveludadas patas e pêlos; as aves de rapina que se alçam a grandes alturas deixam-nas cair envoltas nos pêlos e lãs dos animais apresados e devorados. Outros espécimes animais as transportam a grandes distâncias quando apascentados em rebanhos nas montanhas e planícies ou quando transportados pelo comércio para paragens longínquas.
Complementando estas digressões diremos que as Leguminosas ocupam o primeiro lugar em importância económica entre os vegetais e muitas de suas espécies tem papel saliente no atendi mento à vossa alimentação ou servem como sustentáculo na exploração efectiva da vida animal, tanto no passado como no presente.
São Leguminosas as nossas principais madeiras de lei; outras fornecem colóides no fabrico de medicamentos; e a indústria encontra nessa família numerosos vegetais produtores de Tanino, de Gomas, de Resinas e de Corantes.
Cumpre esclarecer que realmente de todas as espécies aqui citadas, extraindo a denominada Acácia Arábica, que não existe no nosso hemisfério, a que mais se assemelha a esta, na forma da implantação dos foliólos no ramo, nas flores e nos frutos, ligados formando uma suposta Cadeia de União, é a espécie denominada, e muito disseminada no Rio Grande do Sul, ACÁCIA NEGRA.
Ary Caldeira da Silva – M. M.
