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A ética e o valor moral na Maçonaria

✍️ Desconhecido 📅 25/09/2024 👁️ 6 Leituras

ética, valor moral

A Ética, denominada de Filosofia Moral ou Ciência Moral, trata da análise e a reflexão sobre as condutas humanas, tanto individuais, quanto colectivas, e as normas morais como princípios dos comportamentos.

A sua finalidade é fazer com que o desenvolvimento humano atinja a plenitude, respeitando as diferenças individuais.

Segundo Aristóteles:

A Ética estabelece o que se deve ou se pode fazer, e o que não se deve ou não se pode fazer”.

É evidente que quando se estuda o procedimento do homem no meio social, deve-se levar em conta que o homem é um ser moral, justamente por ser ele um ser político.

É um ser político porque a isso o obriga a sua natureza humana.

Mais do que nunca o homem tem que se adaptar à vida em comunidade, mormente nos tempos de globalização, quando o mundo virou uma “aldeota”, onde a aviação e os meios de comunicação acabaram com as distâncias.

O homem vive em sociedade e o Estado onde ele vive precisa dele, como ele precisa do Estado.

Na sua larga visão, Aristóteles em “A Política” assinala:

…“Está claro que o Estado é produto da natureza e superior ao indivíduo; quem não fosse capaz de viver na comunidade civil ou dela não tivesse necessidade para se bastar a si mesmo, não se tornaria nenhuma parte do Estado…”.

Tenhamos em mira que a teoria aristotélica da moral é o fundamento dessa corrente do pensamento chamado Ética.

É interessante verificar que a palavra ética, em português, é derivada do vocábulo grego ethos que significa hábito, costume.

Os romanos traduziram o ethos grego por moralis.

Cícero diz numa das suas obras, referindo-se ao vocábulo grego, que:

Aquilo que tem a ver com os costumes, que eles (os gregos) chamam ethos, nós, nesta parte da filosofia referente aos hábitos, costumamos chamar de moral.”

O dicionário esclarece que Moral é a parte da filosofia que trata dos costumes ou deveres do homem para com os seus semelhantes e para consigo mesmo.

Aristóteles não separa a Ética da Virtude, porque, para ele, toda a virtude se gera e perece dos mesmos actos, e mediante os mesmos actos; e exemplifica dizendo que “de tocar cítara surgem os bons e os maus citaredos”. Isto significa que, pelos actos, se conhece se o indivíduo é virtuoso ou não.

Mais adiante ele enfatiza:

“É necessário, pois, atentar para a qualidade dos actos que praticamos, porque consoante a sua diferença resulta a diferença dos hábitos.”

Se o homem considerar que a prática dos deveres para com os outros e para consigo mesmo é o único caminho que leva à perfeita harmonia social, estará, pois, procedendo correctamente e pode considerar-se feliz.

Analisemos o que Aristóteles estabelece de fundamental na sua “Ética”:

“Os actos morais são livres, motivo por que o indivíduo assume a sua responsabilidade. Assim sendo, torna-se, para quem os pratica, causa de mérito ou demérito.
.
A responsabilidade supõe, com certeza, o que denominamos de imputabilidade, pelo qual o acto é atribuído a um indivíduo como seu autor.”
.
“Existem duas espécies de responsabilidade: aquela pela qual o indivíduo responde por seus actos diante da própria consciência, ou seja, a responsabilidade moral, e a responsabilidade social que faz com que o indivíduo responda por seus actos, às vezes, perante a justiça, quando violar as leis civis.”

Aristóteles ensina que:

“A virtude é um hábito não só diante da recta razão, mas a ela conjunta.
.
E a recta razão nada mais é que sabedoria.”

Resumindo:

Virtude é o hábito de praticar o Bem, e vício, o hábito de praticar o mal.

Voltemos a Aristóteles e vejamos o que ele tem para nos ensinar:

“A Virtude, diz ele, distingue-se segundo esta diferença: das virtudes, algumas chamo dianoéticas, a sapiência, a inteligência e a prudência; éticas, a liberalidade e a temperança.
.
Quando, de facto, falamos dos costumes de alguém, não dizemos ser sapiente ou inteligente, mas sim, brando de ânimo ou temperante; e louvamos também, referindo-nos ao hábito: que nós chamamos virtudes aqueles hábitos que merecem ser louvados.”

Aristóteles procura estabelecer diferença entre aquilo que ele chama de virtudes dianoéticas e virtudes éticas:

“As primeiras são inatas no homem e podem crescer através do estudo, do ensinamento, razão por que têm necessidade de experiência e de tempo.
.
Já as virtudes éticas são frutos do hábito, o que vale dizer que nenhuma delas se gera no homem por natureza, são as chamadas virtudes adquiridas.
.
Elas não se geram nem por natureza nem contra a natureza, mas nascem em nós que, aptos pela natureza a recebê-las, nos tornamos perfeitos mediante o hábito.”

O estagirita conceitua a natureza humana como sendo equilibrada. Para ele, todo ideal tem base natural e todo natural tem desenvolvimento ideal. Reconhece, e o faz objectivamente, que a meta da vida não é o Bem por si mesmo, mas a felicidade. Assegura que a felicidade aparece como um bem perfeito, sendo a meta de todas as acções.

A Maçonaria é por excelência, uma Entidade de Moral, pois, os seus princípios alcançam, nas suas acções, os níveis mais elevados da Ética Universal.

A sua obra, tanto material quanto espiritual advém de um passado remoto.

Educando e disciplinando, prepara os seus membros para que participem na busca da verdade, elevando-os na sua dignidade, fazendo com que ajam com justiça, desfrutando da liberdade, praticando a fraternidade e dedicando-se com amor à Humanidade.

Diante da evolução por que passa o mundo é necessário que visualizemos, à luz maçónica, os grandes desafios.

O rigor moral e a força da autêntica solidariedade social se fazem necessários para que corrijamos os deslizes individuais, as más instituições políticas, económicas e sociais, com o intuito de que o relacionamento humano seja mais fraterno.

A resposta não é simples, mas, podemos assegurar que sem ela enveredamos os mais tristes e funestos destinos.

A Moral permite o cultivo de todas as virtudes, o que garante uma promissora convivência com os nossos pares.

O imoral e o amoral, hoje ou amanhã, pagarão alto preço de uma conduta desmedida, destruindo, assim, as suas vidas.

“A História, mestra da vida”, testemunha a decadência dos que se distanciam da moral.

Nenhuma nação, nenhum povo e nenhum homem poderão concretizar os seus sonhos, se não estiverem embasados nos conceitos da Moral.

Seria como construir castelos ao vento, ainda que a aparência pareça estável.

Portanto, a cada um, a concepção do dever, do bem, da justiça, das virtudes e, sobretudo, da verdade, pois aí está a formatação da moral, revelando-nos os valores que norteiam o homem e os povos, prestigiando as suas instituições e reafirmando na fé, a verdadeira perfectibilidade humana.

A Maçonaria chama-nos ao cultivo da Moral e à sua nobre prática, para que sejamos cada dia, mais virtuosos.

José Airton de Carvalho, MI  ARLS Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, presidente da Escola Maçónica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida e membro da Loja de Pesquisas Quatuor Coronati Pedro Campos de Miranda)

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